Quem: Thiago Carpini, ex-técnico do São Paulo, e o meia James Rodríguez. O quê: recusa do colombiano em bater pênalti decisivo. Quando: quartas de final do Paulistão 2024. Onde: Estádio do MorumBIS. Por quê: falta de confiança alegada pelo atleta, segundo Carpini.
O bastidor: a recusa que mudou a leitura interna sobre James
Em entrevista ao Charla Podcast, publicada em 19/03/2026, Thiago Carpini contou que, antes da disputa por pênaltis contra o Novorizontino, James Rodríguez pediu para não ser um dos cobradores. O ex-comandante classificou a atitude como incompatível com o status do astro, especialmente diante de um elenco que reunia referências como Lucas Moura, Rafinha e Calleri. O episódio, segundo Carpini, reforçou a percepção de falta de comprometimento que já incomodava o vestiário.
Por que o episódio é emblemático para a gestão de grupo
A recusa de um jogador de elite em um momento de pressão afeta três frentes estratégicas:
- Liderança técnica: atletas de alto salário e currículo costumam ser convocados para assumir responsabilidades decisivas. A abdicação gera ruído hierárquico.
- Confiança coletiva: quando o principal camisa 10 demonstra insegurança, o efeito cascata pode atingir companheiros menos experientes.
- Discurso externo: o treinador não pode expor publicamente o fato; internamente, porém, precisa explicar por que a estrela ficou fora da lista de batedores.
Raio-X de James Rodríguez no São Paulo
Período: julho/2023 – janeiro/2024
Jogos: 22
Gols: 2 (0,09 por partida)
Assistências: 4
Títulos: Copa do Brasil 2023 e Supercopa do Brasil 2024 (sem minutos em campo nas finais)
Dados físicos: o atleta não atingiu o “estado de prontidão” (match fitness) por mais de três jogos consecutivos, segundo relatos internos obtidos pela reportagem da época.
Comparativo de participação ofensiva*
*Temporada 2023-24, competições nacionais
| Jogador | Minutos | G+A | Participações a cada 90′ |
|---|---|---|---|
| Lucas Moura | 1.740 | 10 | 0,52 |
| Calleri | 2.180 | 17 | 0,70 |
| James Rodríguez | 1.083 | 6 | 0,50 |
Apesar da eficiência por minuto não ser baixa, a amostra reduzida torna o impacto real marginal no desenho tático do time.
Imagem: IMAGO
Consequências imediatas para o São Paulo
Logo após a eliminação no Paulistão, James solicitou rescisão amigável e rumou para o Rayo Vallecano. O São Paulo economizou parte do salário na folha, mas perdeu uma opção criativa para jogos de bloco baixo – tipo de adversário comum em mata-matas estaduais. Dorival Júnior, então recém-chegado, reforçou a ideia de usar Lucas como articulador central em fases ofensivas, solução que perdura em 2026.
E agora? Projeção para carreira do colombiano e lições para o Tricolor
Com passagem apagada também no Rayo, onde somou apenas sete jogos, James volta ao mercado europeu em busca de minutos antes da Copa América 2028. Para o São Paulo, o caso vira benchmark de avaliação física e mental de futuras contratações de renome. O departamento de performance, hoje comandado por André Jardine, implementou métricas de readiness que incluem testes de disponibilidade para cobranças de bola parada em treinos fechados.
No curto prazo, a exposição do bastidor tende a reforçar a narrativa de que o clube privilegia comprometimento coletivo ao estrelismo individual. A médio prazo, a lembrança do “pênalti não batido” pode influenciar decisões de mercado e gestão de lideranças internas.
Com informações de Trivela