Manchester (21/03/2026) – Ídolo máximo do Manchester City, Sergio Agüero saiu em defesa de Erling Haaland, que atravessa período de baixa produtividade apesar de ainda liderar a artilharia da Premier League com 22 gols. Ao ser entrevistado pela casa de apostas Stake, o argentino avaliou que o centroavante “evoluiu muito no jogo coletivo”, segurando mais a bola, dando assistências e ajudando na pressão defensiva.
Contexto imediato: seca de gols coincide com turbulência citizen
Haaland soma apenas quatro gols nos últimos 18 jogos desde o Natal, intervalo em que o Manchester City foi eliminado pelo Real Madrid nas oitavas de final da Champions League e viu o Arsenal abrir nove pontos de vantagem na ponta da liga inglesa. No primeiro duelo contra os merengues, o norueguês tocou apenas dez vezes na bola e acabou substituído por Pep Guardiola aos 80 minutos, símbolo de uma equipe desconectada de seu principal finalizador.
Raio-X dos números
Erling Haaland 2025/26*
– 22 gols em 34 partidas oficiais
– 3 assistências
– 0,65 gol por jogo (queda de 35% em relação aos 0,99 da temporada 2022/23, quando quebrou o recorde de gols da Premier League)
*Dados até 21/03/2026
Antoine Semenyo 2025/26 (após chegar em jan/26)
– 7 gols
– 2 assistências
– 16 jogos
– 1 participação em gol a cada 133 minutos
Por que Guardiola confia em Semenyo?
Contratado ao Bournemouth por £65 milhões (R$ 467,9 milhões), Semenyo encaixa no modelo citizen como segundo atacante híbrido: parte da esquerda, ocupa o meio-espaço direito e ataca a última linha, exatamente as zonas que Haaland tende a liberar quando vem buscar jogo. O ganês ganhou liberdade para acelerar em conduções verticais, justificando as palavras de Guardiola: “drible e chute quando parecer certo”.
Tendências táticas: o papel de Haaland fora da área
Segundo mapeamento do StatsBomb, Haaland tem participado em média de 18,4 ações com bola por 90 minutos — aumento de 16% em comparação à campanha passada. Esse crescimento se distribui principalmente em: lay-offs (passes curtos de costas) para a chegada dos interiores e no recuo para a faixa de meio-campo na pressão pós-perda. A lógica de Guardiola é clara: ao atrair zagueiros para longe do gol, o City cria corredores internos que vêm sendo explorados por Phil Foden, Bernardo Silva e, mais recentemente, Semenyo.
Impacto na corrida pelo título
Restando dez rodadas, o City precisa reduzir a distância de nove pontos para o Arsenal e ainda torcer por tropeços do líder. Os Citizens têm confrontos diretos com Tottenham (fora) e Chelsea (casa), enquanto os Gunners ainda visitam Liverpool e United. Recuperar a versão goleadora de Haaland pode transformar empates em vitórias: em quatro dos últimos sete jogos de liga, o City finalizou mais de 1,8 xG e marcou apenas uma vez, sinal de que a finalização — especialidade do norueguês — faz falta.
Imagem: IMAGO
Próximos capítulos
O Manchester City volta a campo no sábado, contra o Aston Villa, e a expectativa interna é de que Haaland retome a titularidade depois de ter iniciado no banco na última partida pela Copa da Inglaterra. Caso reencontre o caminho das redes, o norueguês será peça-chave na tentativa de conquistar uma reação histórica e manter vivo o sonho do quarto título inglês consecutivo.
Se a seca persistir, Guardiola tende a manter Semenyo como referência móvel, com Foden e De Bruyne atacando os espaços de segunda bola — adaptação que sacrifica profundidade, mas aumenta a fluidez criativa. A decisão sobre qual rota seguir nas próximas semanas pode definir não apenas o futuro imediato do City, mas também o planejamento de mercado para 2026/27.
Em síntese, Agüero chama atenção para um Haaland mais completo taticamente; no entanto, a frieza dos números indica que o City ainda depende de seu instinto goleador para encurtar a distância para o Arsenal. Os próximos jogos dirão se a evolução coletiva bastará ou se o artilheiro precisará, de fato, voltar a ser decisivo.
Com informações de Trivela