Quem: Football Supporters’ Association (FSA) e torcedores dos 20 clubes da Premier League
O quê: 75% dos entrevistados querem a retirada do VAR do campeonato
Quando: pesquisa realizada ao longo da temporada 2023/24, dados divulgados nesta semana
Onde: Inglaterra (Premier League)
Por quê: tempo de revisão, perda de espontaneidade e pouca transparência lideram as críticas
Entenda o recado das arquibancadas
O levantamento da FSA ouviu 7.800 torcedores das 20 equipes da Premier League. O resultado é contundente: três em cada quatro fãs (75%) são contrários à permanência do VAR. Entre os pontos de maior insatisfação, 90% dizem que a tecnologia piorou a experiência no estádio e 91% apontam que a celebração de gols perdeu espontaneidade.
Por que o VAR virou alvo?
Apesar de o Key Match Incident Panel estimar 96-97% de acerto nas decisões desde 2019, a percepção popular segue negativa. Os motivos listados pela FSA incluem:
- Lentidão: tempo médio de checagem ainda supera um minuto, mesmo com queda de 25% nos atrasos nas duas últimas temporadas.
- Falta de clareza: 74% afirmam não entender os critérios das revisões.
- Expansão de uso: 86% temem que novas checagens — como escanteios e segundos cartões amarelos, testadas na Copa do Mundo — tornem o jogo ainda mais fragmentado.
Raio-X dos números da pesquisa
• 72% discordam que o VAR tornou a arbitragem mais precisa.
• 94% não acham que assistir pela TV ficou mais agradável.
• 52% rejeitam o uso da ferramenta para revisar segundos cartões amarelos.
• 93% aprovam a tecnologia da linha do gol, mostrando que a crítica é específica ao VAR.
Clubes x Torcida: quem decide?
Em votação realizada em 2024, 19 dos 20 clubes – exceto o Wolverhampton – optaram por manter o VAR. Para revogar o sistema, seriam necessários 14 votos contrários em nova assembleia. Ou seja, a pressão popular ainda não encontra eco suficiente nas diretorias.
Imagem: Internet
Impacto futuro: o que esperar da temporada 2024/25?
A Premier League já sinalizou ajustes, como anúncios de decisões pelo sistema de som dos estádios e testes com checagens semiautomáticas de impedimento. Contudo, a rejeição crescente pode forçar a liga a priorizar três frentes:
- Transparência: liberar áudios entre árbitro e sala VAR para reduzir desconfiança.
- Agilidade: metas públicas de tempo máximo por revisão.
- Escopo limitado: manter foco em erros claros e óbvios, evitando ampliação para lances menores.
Se essas mudanças não surtirem efeito, novas propostas de clubes insatisfeitos – a exemplo do Wolves – podem ganhar apoio, tornando o debate sobre o futuro do VAR um tema central até a próxima reunião de acionistas em junho de 2025.
Com informações de BBC Sport