São Paulo — 30/03/2026. A Comissão de Ética do Conselho Deliberativo do São Paulo Futebol Clube concluiu nesta segunda-feira (30) o relatório que recomenda a expulsão dos conselheiros Mara Casares e Douglas Schwartzmann do quadro associativo. A medida foi motivada pela investigação de um esquema de venda clandestina de camarotes no Morumbis em dias de shows, prática considerada infração grave pelo Estatuto Social do clube.
Entenda o caso dos camarotes clandestinos
Em fevereiro, reportagens internas e externas revelaram que um camarote do Morumbis vinha sendo comercializado sem autorização da diretoria administrativa em eventos musicais. Segundo apuração da Comissão de Ética — composta por Antônio Maria Patiño Zorz, Felipe Nelli Soares, Luiz Augusto Lia Braga, Marcelo Felipe Nelli Soares e Milton José Neves Júnior — as negociações envolveram diretamente os conselheiros Mara Casares e Douglas Schwartzmann, ambos detentores de cargos estratégicos na política tricolor.
Diante da repercussão, a dupla solicitou licença de suas funções. A investigação, entretanto, seguiu adiante e concluiu que houve exploração econômica irregular de patrimônio do clube, justificando o pedido de expulsão.
O que diz o Estatuto Social
O Artigo 34 do Estatuto Social do São Paulo prevê seis penalidades graduais: advertência, suspensão, indenização, perda de mandato, inelegibilidade temporária e eliminação (expulsão). A Comissão de Ética entendeu que a eliminação é proporcional à gravidade da falta, já que envolve prejuízo potencial à imagem institucional e violação de princípios de transparência.
Raio-X da decisão
Unanimidade na Comissão: 5 votos a 0 recomendaram a expulsão.
Próximo passo: o parecer será encaminhado ao pleno do Conselho Deliberativo, que convocará sessão extraordinária. Para a expulsão se concretizar, é necessária maioria simples dos conselheiros presentes.
Posicionamento presidencial: o presidente Harry Massis Jr. antecipou seu voto favorável, ressaltando que “honestidade e integridade são valores inegociáveis”.
Impacto na governança tricolor
A possível saída de dois nomes influentes reforça a linha de Massis, eleito em 2025 com a bandeira da governança. Desde então, a diretoria implantou:
Imagem: Internet
- Auditoria externa recorrente nas contas do clube;
- Publicação trimestral de relatórios financeiros;
- Comitê de Compliance para contratos de marketing e eventos.
Se confirmada, a expulsão pode servir de precedente disciplinar para coibir outras práticas irregulares no uso do estádio — cuja agenda de shows gera receita média de R$ 25 milhões anuais, segundo dados divulgados pelo próprio SPFC em 2025.
Próximos compromissos em campo
Enquanto o tema é debatido nos bastidores, o elenco profissional segue focado em três partidas decisivas:
- 01/04 — Internacional (fora) | 19h30 | Brasileirão
- 04/04 — Cruzeiro (casa) | 18h30 | Brasileirão
- 07/04 — Boston River (fora) | 21h30 | CONMEBOL Sul-Americana
A manutenção de um ambiente político estável é considerada fundamental para que a comissão técnica mantenha o foco exclusivamente no desempenho esportivo, especialmente em um início de temporada que já pressiona o clube por resultados rápidos no Brasileirão e na Sul-Americana.
Conclusão prospectiva: Caso o Conselho Deliberativo confirme a expulsão, o São Paulo reforçará sua política de tolerância zero contra desvios administrativos. A decisão também pode influenciar futuras eleições internas, elevando o peso de plataformas ligadas à transparência. Nos próximos dias, o cronograma da votação e eventuais recursos serão determinantes para medir o alcance real desse episódio na governança tricolor.
Com informações de ESPN Brasil