Cuenca (Equador) — O Santos confirmou que Neymar não viajou para o duelo desta quarta-feira, 8 de abril de 2026, contra o Deportivo Cuenca, às 19h (de Brasília), pela 1ª rodada da fase de grupos da CONMEBOL Sul-Americana, frustrando a cidade equatoriana que aguardava o astro brasileiro.
Ausência estratégica: gestão de minutos em calendário congestionado
Segundo o clube, o atacante foi poupado pela comissão técnica para controlar a carga física no início da maratona que inclui, em apenas sete dias, jogos pela Sul-Americana, Brasileirão e novamente o torneio continental. Aos 34 anos, Neymar voltou a vestir a camisa peixeira no início da temporada e, até aqui, vem sendo preservado em partidas de altitude ou com deslocamentos longos — Cuenca está a cerca de 2.560 m acima do nível do mar.
Dentro do plano de desempenho, a decisão evita riscos de lesões musculares e preserva o principal criador de chances do elenco para compromissos considerados prioritários pelo departamento de futebol, como o confronto com o Atlético-MG, no fim de semana, pelo Campeonato Brasileiro.
“Neymar vem a Cuenca”: a expectativa local e a reação dos rivais
A ausência do camisa 10 não decepcionou apenas torcedores. O meio-campista equatoriano Romário Ibarra, de 31 anos, revelou à ESPN que o elenco do Deportivo Cuenca “contava os dias” para enfrentar o brasileiro: “Aqui se falava mais no Neymar do que no Santos”, afirmou antes de saber que o craque seria poupado.
A idolatria local reflete o alcance global do atleta: ídolo de crianças e inspiração até para veteranos, Neymar esteve por quase uma década no top 3 do futebol mundial ao lado de Messi e Cristiano Ronaldo. Cuenca, que recebe poucas vezes clubes de massa internacional, via na partida a chance de atrair holofotes, aumentar a bilheteria e impulsionar o turismo esportivo.
Raio-X do Grupo D e do Santos sem Neymar
Grupo D: Santos (BRA), Deportivo Cuenca (EQU), Deportivo Recoleta (PAR) e San Lorenzo (ARG).
- Sistema de disputa: quatro equipes, todos contra todos em turno e returno; apenas o líder avança diretamente às oitavas.
- Neymar no Santos (1ª passagem 2009-2013): 134 gols em 225 partidas, títulos da Libertadores, Recopa e três Paulistas.
- Retorno em 2026: até o momento, o camisa 10 soma participações diretas (gols ou assistências) em mais de 30% dos tentos santistas na temporada, de acordo com dados oficiais do clube.
- Banco de hoje: os candidatos naturais à vaga são Romulo Otero, em versão mais criativa, ou o velocista Patrick, se o técnico optar por transições rápidas.
O que muda no desenho tático do Peixe
Sem Neymar, o Santos perde seu principal articulador entrelinhas. A tendência é o time adotar um 4-3-3 espelhado, com um falso ponta flutuando por dentro para criar superioridade numérica no meio. A marcação alta, característica desde a chegada do técnico, deve ser dosada por causa da altitude; portanto, linhas médias com blocos compactos são esperadas para poupar energia.
Imagem: Internet
Defensivamente, a ausência do craque reduz a necessidade de coberturas específicas pela faixa central, permitindo que o volante de contenção se projete menos e preserve o equilíbrio. Ofensivamente, bolas longas e transições podem ganhar espaço, explorando a velocidade de jovens como Weslley Patati nas costas da zaga equatoriana.
Agenda e impactos para o curto prazo
Além do compromisso no Equador, o Peixe volta a campo já no sábado (11/04) contra o Atlético-MG, na Vila Belmiro, pela 2ª rodada do Brasileirão. Três dias depois, reestreia em casa na Sul-Americana diante do Deportivo Recoleta. Manter Neymar fresco para esses dois jogos em sequência é visto internamente como crucial para:
- Garantir boa largada no Brasileiro, competição prioritária do clube para 2026;
- Abrir os primeiros seis pontos no grupo continental antes do duelo direto com o San Lorenzo, previsto para maio.
Conclusão prospectiva: a ausência de Neymar em Cuenca diminui o apelo midiático da estreia, mas reforça uma gestão de elenco que pode render dividendos já no fim de semana. Se o Santos pontuar fora mesmo sem seu craque, a estratégia de rodagem ganha força; em caso de tropeço, a decisão será alvo de debate. Os próximos três jogos revelarão se o planejamento físico-tático da comissão surtirá efeito no desempenho esportivo e na liderança do Grupo D.
Com informações de ESPN