Porto Alegre (10/04/2026) – O Grêmio voltou a ser mencionado em uma investigação do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) que mira rifas eletrônicas ilegais. A Operação Estrela Cadente, deflagrada nesta sexta-feira, apura possíveis fraudes patrimoniais e lavagem de dinheiro envolvendo uma plataforma de sorteios virtuais que, em 2025, estampou a marca “Pix das Estrelas” no uniforme tricolor.
Como o ex-patrocinador virou alvo da Operação Estrela Cadente
De acordo com o MPRS, a empresa investigada vendia “e-books” ou “cotas” que prometiam prêmios em dinheiro e bens – prática considerada rifa digital irregular. Para ganhar credibilidade, o grupo associava sua imagem a clubes de futebol, entre eles Grêmio e Avaí, segundo os promotores. Mandados de busca foram cumpridos em São Paulo, Santo André e São Caetano do Sul, com apreensão de computadores, celulares e documentos financeiros.
Por que o Grêmio entrou no radar dos promotores
Mesmo sem ser alvo da operação, o Grêmio foi citado porque concedeu espaço de exposição à marca investigada entre janeiro e abril de 2025. À época, a parceria buscava engajar torcedores em campanhas de arrecadação para reforços, mas enfrentou forte rejeição da torcida e foi encerrada antes do previsto. O Ministério Público agora apura se a utilização do escudo gremista serviu para legitimar a ação de venda de rifas.
Raio-X da antiga parceria
• Período: Janeiro a Abril/2025
• Valor anunciado: R$ 6 milhões/ano
• Exposição: Marca no peito da camisa principal e em posts de redes sociais
• Campanha polêmica: “Movimento Imortal”, que venderia produtos ligados a sorteios para financiar contratações
• Desfecho: Contrato rescindido, pedidos públicos de desculpas e promessa de ressarcimento aos torcedores participantes
Riscos de imagem e lições para o marketing esportivo
A menção na investigação expõe riscos reputacionais de acordos comerciais com empresas de sorteios ou apostas de rápida ascensão. Segundo relatórios da Sports Value, o mercado de patrocínios no futebol brasileiro movimentou cerca de R$ 1,3 bilhão em 2025, sendo 34% provenientes de casas de apostas ou plataformas digitais. A falta de regulação específica para rifas eletrônicas deixa clubes vulneráveis a associações indesejadas, exigindo due diligence mais rígida antes da assinatura de contratos.
Imagem: Lucas Uebel
Impacto prático: o que muda para a temporada 2026
No curto prazo, não há reflexo esportivo. O Grêmio não mantém mais vínculos com a empresa e foca no calendário que inclui Campeonato Brasileiro, Copa do Brasil e fase de grupos da Copa Sul-Americana. Internamente, o departamento jurídico monitora o caso para evitar passivos futuros, enquanto o setor de marketing revisita seus protocolos de compliance antes de fechar novos acordos.
Perspectiva: Caso surjam indícios de envolvimento de terceiros, o MP pode convocar representantes gremistas para prestar esclarecimentos. Até lá, o clube busca blindar o elenco e manter a sequência de vitórias em campo — elemento crucial para reverter a narrativa negativa fora dele.
Com informações de Portal do Gremista