Deco: ‘Estrangeiro não é o problema. O futebol brasileiro segue protagonista’

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São Paulo, 10/04/2026 – Em entrevista ao quadro “Abre Aspas”, do ge, Deco, diretor de futebol do Barcelona, contestou a tese de que o aumento de atletas estrangeiros na Série A atrapalha a formação de jovens no país e reforçou que o futebol brasileiro segue protagonista no continente. O ex-meia também detalhou sua relação com Carlo Ancelotti, futuro técnico da Seleção na Copa de 2026.

Presença estrangeira cresce, mas base continua gerando talentos

Atualmente, 151 jogadores de fora do país atuam nos 20 clubes da Série A. Argentinos (42), uruguaios (30) e colombianos (29) lideram a lista. Para Deco, a pluralidade amplia a competitividade interna sem bloquear espaço para os formados em casa. Ele citou Palmeiras e Fluminense como exemplos: mesmo com reforços internacionais, ambos somaram nos últimos três anos mais de 10 atletas formados em suas academias no elenco principal.

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Formação de base: mudanças estruturais e desafios sociais

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Deco reconheceu avanços metodológicos nos centros de treinamento no Brasil, mas apontou obstáculos externos, como a menor prática informal de rua por questões de segurança. Segundo levantamento da CBF, 81 % dos clubes de elite implementaram departamentos de análise de desempenho sub-20 apenas depois de 2018, o que modernizou a lapidação de talentos, embora a captação esteja menos espontânea.

Raio-X dos estrangeiros na Série A 2026

  • Total: 151 atletas (7,5 por equipe em média).
  • Idade média: 27,3 anos – 4,1 anos acima dos jogadores de base estreantes.
  • Funções mais ocupadas: Meia ofensivo (21 %), Centroavante (18 %), Zagueiro (17 %).
  • Contribuição direta em gols 2025: 34 % dos tentos da competição tiveram participação estrangeira.

Ancelotti na Seleção: gestão de grupo como trunfo

Companheiro do italiano no Chelsea (2009-2010), Deco descreveu Ancelotti como treinador de “perfil Felipão” na condução humana do vestiário. A CBF aposta na experiência de 25 títulos do técnico para estabilizar o ambiente após eliminações seguidas em Copas. Até a estreia das Eliminatórias de 2028, a entidade planeja manter o staff europeu para trocar metodologias de microciclo com os departamentos de base da própria Seleção sub-20.

Impacto no mercado: clubes brasileiros financeiramente mais fortes

Entre 2014 e 2024, a receita média dos clubes da Série A subiu 128 %, segundo a consultoria Sports Value, permitindo contratações como Enner Valencia (Internacional) e Luis Suárez (Grêmio) mesmo próximo do auge. Deco interpreta o cenário como sinal de que a vitrine local permanecerá atraente também para jovens que gostam de atuar ao lado de estrelas consagradas – fator que facilita a venda futura para a Europa.

O que vem por aí?

Se os clubes sustentarem o equilíbrio entre estrangeiros experientes e prospectos da base, a tendência é manter a hegemonia brasileira na Libertadores – cinco finais consecutivas até 2025 – e seguir abastecendo mercados como La Liga, Premier League e Série A italiana. No curto prazo, olheiros do Barcelona, liderados por Deco, priorizam atletas sub-18 que acumulam minutos na Série A ou em competições continentais de base.

O resultado prático dessa mistura – escolas externas que elevam o sarrafo técnico e jovens locais que garantem renovação – deve ditar tanto o sucesso dos clubes brasileiros na janela de 2026 quanto o repertório que Ancelotti terá à disposição para a Copa do Mundo.

Com informações de Trivela

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