Milão, 22 de setembro de 2025 – Ao vivo no programa Radio Anch’io Sport (Radio 1), o presidente e CEO da Internazionale, Giuseppe Marotta, afirmou que o histórico San Siro deve seguir o exemplo de Wembley: ser demolido e reconstruído. O dirigente detalhou que Inter e Milan planejam um novo estádio, 100% financiado pelos dois clubes, nas imediações da arena atual, a fim de recuperar competitividade esportiva e financeira.
Por que Inter e Milan defendem a demolição?
Marotta classificou o San Siro como “fatiscente e vetusto”, exigindo manutenção constante que já não atende ao padrão de grandes eventos. Em suas palavras, Milão deixou de ser elegível para finais de Champions League e para a Euro 2032, cenário que ameaça a relevância internacional da cidade.
O executivo citou o caso do Old Wembley, demolido em 2003 para dar lugar ao novo Wembley (inaugurado em 2007), símbolo de modernização do futebol inglês. A comparação serve como argumento para superar a “disputa política conservadora” que, segundo ele, trava o avanço do projeto milanês.
Receita de bilheteria: o fosso para a elite europeia
Dados apresentados pelo dirigente explicam a urgência:
- €80 milhões é o teto anual que Inter ou Milan conseguem faturar hoje com seu estádio.
- Clubes europeus de ponta, apoiados por arenas modernas, chegam a €300 milhões anuais.
- Entre 2015 e 2025, foram erguidos 153 novos estádios na Europa – somente 3 na Itália, o equivalente a 1% do total.
Esse hiato de receitas compromete especialmente o matchday, pilar decisivo no Fair Play Financeiro da UEFA e na capacidade de investimento em elenco.
Raio-X do novo estádio proposto
- Localização: área contígua ao San Siro atual, em Milão.
- Capacidade projetada: “na média europeia”, disse Marotta; estimativa de 60-65 mil lugares, preservando ingressos acessíveis aos torcedores de renda média e baixa.
- Modelo de negócio: investimento totalmente privado de Inter e Milan, com foco em sky boxes, áreas VIP e receitas não-jogo (shows, eventos corporativos).
- Impacto urbano: geração de turismo, empregos e requalificação do entorno, repetindo o efeito observado em Londres após o novo Wembley.
O que muda na dinâmica esportiva?
Marotta admitiu que, “no momento, não somos competitivos nem mesmo na Europa”. O novo estádio, se autorizado, abriria margem para:
Imagem: Internet
- Aumento de budget anual para contratações e renovações – diferencial crucial na Série A, onde a concorrência de Premier League e La Liga é crescente.
- Manutenção de talentos formados em casa, como Francesco Pio Esposito, e continuidade do trabalho de Cristian Chivu na base.
- Maior poder de barganha comercial com patrocinadores globais, atraídos por naming rights e hospitalidade corporativa.
Cenários caso o plano emperre em Milão
O dirigente não descartou buscar “sites fora do Comune de Milão” se o impasse político persistir. Estratégia semelhante foi adotada pela Juventus com o Allianz Stadium (Turim) e pela Roma, que estuda terreno em Pietralata. A migração para áreas metropolitanas, porém, criaria dilema logístico para torcedores e poderia diluir parte do efeito turístico projetado.
Próximos passos: Inter e Milan aguardam definição do poder público para avançar em licenciamento ambiental, cronograma de obras e captação de parceiros comerciais. Nos bastidores, espera-se que a temporada 2025/26 seja a última com capacidade plena no atual San Siro, caso o cronograma seja aprovado até o 1º semestre de 2026.
Uma arena alinhada às exigências da UEFA e às tendências de consumo pode recolocar os dois gigantes milaneses no radar das grandes finais continentais. A resposta política nas próximas semanas definirá se Milão seguirá o modelo Wembley ou perderá terreno para outras capitais europeias.
Com informações de Corriere dello Sport