Manchester (12/04/2026) – O excelente trabalho de Vincent Kompany no Bayern de Munique, coroado com mais de 300 gols em 100 partidas, recoloca o ex-zagueiro na linha de frente para suceder Pep Guardiola no Manchester City a partir de 2027, quando o contrato do treinador espanhol se encerra.
Por que Kompany virou o principal nome para o pós-Guardiola?
Além da ligação afetiva com o Etihad – foram 11 temporadas como jogador dos Citizens e quatro títulos da Premier League –, Kompany chega respaldado por:
- Identidade com o clube: capitão na primeira era vencedora do City e figura respeitada internamente.
- Experiência na elite: passagem na Premier League com o Burnley e aprendizado rápido na Champions League com o Bayern.
- Aprovação de Guardiola: o próprio Pep já elogiou publicamente a evolução tática do antigo pupilo.
Do 2-3-5 de Pep ao 2-2-6 de Kompany: diferenças e semelhanças
Guardiola popularizou no City a saída em 2-3-5 (ou 3-2-5), mantendo ocupação fixa dos cinco corredores do campo. Kompany, por sua vez, leva a filosofia positional para uma abordagem mais relacional:
- Estrutura: o Bayern ataca em 2-2-6, empurrando os zagueiros para além da linha de meio-campo e sobrecarregando a última linha rival.
- Trocas de posição: as funções são fluídas; Harry Kane recua para a base, Luis Díaz fecha como 9, laterais entram por dentro.
- Objetivo comum: criar superioridades numéricas, atrair a marcação e liberar espaço entrelinhas – essência guardiolista com execução mais interpretativa.
Raio-X de Kompany como treinador
Anderlecht (2019-2022)
– Técnico-jogador na reta final da carreira.
– Média de 1,70 ponto/jogo na Jupiler Pro League.
Burnley
– Championship 2022/23: campeão com 101 pontos, 87 gols marcados e 35 sofridos.
– Premier League 2023/24: rebaixado, mas manteve 60% de posse média, a 3.ª maior do torneio.
Bayern de Munique (2024-…)
– 100 jogos, 74 vitórias, 306 gols a favor (média 3,06/jogo) e 0,78 gol sofrido/jogo.
– Quebrou a sequência de 25 anos sem vitória bávara no Santiago Bernabéu.
Obstáculos contratuais e cenário de mercado
O Bayern renovou com Kompany até 2029 sem cláusula de rescisão. Para tirá-lo da Baviera, o City dependeria de:
Imagem: IMAGO
- Negociação direta entre clubes ou acordo de rescisão amigável;
- Convencimento do técnico, que evita falar sobre futuro a longo prazo;
- Alinhamento de cronograma: Guardiola tem vínculo até 2027, mesma janela em que o City planeja transição de ciclo.
O que mudaria no City se a sucessão se confirmar?
Reforço ao ataque à profundidade: o 2-2-6 de Kompany exigiria pontas agressivos e zagueiros confortáveis na construção. Jogadores como Phil Foden e Josko Gvardiol se encaixam nesse perfil.
Elenco mais enxuto de meio-campistas: com apenas dois homens na faixa central na fase ofensiva, o clube poderia redirecionar investimentos para laterais de grande fôlego e atacantes versáteis.
Preparação defensiva para transições: a Premier League é mais vertical que a Bundesliga. O belga teria de ajustar coberturas e temporização para não expor o time em contra-ataques.
No horizonte, a eventual chegada de Kompany em 2027 simboliza não apenas continuidade cultural, mas uma possível mudança de paradigma tático no Manchester City. Se a diretoria conseguir superar o impasse contratual com o Bayern, os Citizens podem ser pioneiros na adoção consistente do 2-2-6 na Inglaterra, abrindo um novo capítulo na batalha estratégica da Premier League.
Com informações de Trivela