Manchester (12/04/2026) – Um breve diálogo no vestiário foi suficiente para Pep Guardiola alterar o curso da partida que terminou com a vitória do Manchester City por 3 a 0 sobre o Chelsea no Etihad Stadium. O treinador pediu a Rayan Cherki que “estivesse lá” – ou seja, mais próximo de Erling Haaland e dos meias ofensivos – e o francês respondeu com duas assistências decisivas que mantêm os Citizens a apenas seis pontos do líder Arsenal, rival direto no próximo fim de semana.
O conselho tático de Guardiola
Durante a entrevista coletiva pós-jogo, Guardiola revelou a orientação simples e direta ao camisa 22: “Jogue perto de Haaland, dos alas, dos meias-atacantes, e use o talento que a mãe e o pai lhe deram”. A instrução contrasta com partidas recentes em que Cherki recuava excessivamente para receber a bola – “jogava perto de mim”, nas palavras do treinador. Ao ocupar zonas mais adiantadas, o francês:
- Ofereceu linha de passe interior, quebrando a primeira pressão do Chelsea;
- Conectou-se 11 vezes com Haaland, o maior índice da temporada entre a dupla;
- Gerou 0,45 de Expected Assists (xA) apenas no segundo tempo, segundo dados do clube.
Raio-X de Rayan Cherki na temporada 2025/26
Participações diretas em gols na Premier League
- Assistências: 10 (7 na 1ª metade, 3 na 2ª)
- Gols: 4
- Minutos jogados: 1.728
- Posições utilizadas: meia-atacante central (60%), ponta direita (30%), “falso 8” (10%)
Apesar do início avassalador, o ex-Lyon oscilou e chegou a ficar fora do onze inicial nas oitavas da Champions diante do Real Madrid. O reencontro com o protagonismo neste domingo reforça a leitura de Guardiola de que a regularidade depende menos do talento bruto e mais do entendimento espacial do jogo.
Por que o ajuste foi decisivo contra o Chelsea
No primeiro tempo, o City registrou apenas 0,41 xG e finalizou quatro vezes – seu pior cenário ofensivo em casa desde novembro. Com Cherki avançado, a etapa complementar mostrou:
- Posse no terço final saltando de 26% para 38%;
- Seis finalizações de dentro da área, incluindo os gols de Nico O’Reilly e Marc Guéhi;
- Queda de passes laterais improdutivos (-18%) e aumento de passes verticais ( +22%).
A pressão pós-perda também foi beneficiada: ao atacar em bloco mais alto, o City recuperou a bola em média 6,4 segundos após perdê-la, anulando a transição que o Chelsea tentava explorar.
Como fica a briga pela liderança
Com 31 rodadas disputadas, a tabela aponta:
Imagem: Paul Terry
- Arsenal – 75 pts
- Manchester City – 69 pts
- Liverpool – 67 pts
O tropeço dos Gunners diante do Bournemouth abriu a possibilidade de ultrapassagem caso o City vença Arsenal (fora) e Burnley (casa) nas próximas duas rodadas. O saldo de gols (+41) também aproxima a equipe de Guardiola do cenário de liderança nos critérios de desempate.
Próximos desafios e cenário a curto prazo
Além do confronto direto em Londres, o City terá semifinal de FA Cup contra o Newcastle quatro dias depois, sequência que exigirá gestão de elenco. O retorno de Kevin De Bruyne de lesão muscular previsto para a próxima semana aumenta as opções de articulação, mas a sintonia recém-afinada entre Cherki e Haaland tende a ser mantida como arma principal.
Perspectiva final: Se internalizar a exigência de manter intensidade e posicionamento por 95 minutos, Rayan Cherki pode transformar um ato isolado em padrão de performance. Para o Manchester City, isso significaria a peça criativa que faltava na reta decisiva de Premier League e Copa, potencialmente mudando o destino da temporada.
Com informações de Trivela