Quem: Charlotte Hornets, Miami Heat, Philadelphia 76ers, Orlando Magic, Phoenix Suns, Portland Trail Blazers, LA Clippers e Golden State Warriors.
O quê: disputa do play-in.
Quando: 14 a 17 de abril de 2026.
Onde: ginásios das equipes de melhor campanha em cada confronto.
Por quê: definir as cabeças de chave 7 e 8 de cada conferência para os playoffs da NBA.
Como funciona o play-in e por que ele importa em 2026
O formato segue inalterado desde 2021: o 7º recebe o 8º; o vencedor assume a sétima vaga. O 9º recebe o 10º; o perdedor está fora. O sobrevivente encara o derrotado do primeiro jogo para decidir a oitava posição. A diferença em 2026 é o nível de equilíbrio: apenas quatro vitórias separaram o 6º do 10º no Leste, e cinco no Oeste. A tendência, portanto, é de confrontos decididos nos detalhes táticos e na gestão física de estrelas que chegam baleadas à reta final.
Panorama tático e físico dos oito concorrentes
Philadelphia 76ers (8º Leste) – Sem Joel Embiid (apendicite), Nick Nurse precisará repetir a fórmula dos 38 jogos que o pivô perdeu: pick-and-roll dinâmico entre Tyrese Maxey e Paul George, mais espaçamento com o novato VJ Edgecombe. A defesa cai sem Embiid: o rating defensivo sobe de 112,3 para 118,9 pontos por 100 posses.
Orlando Magic (7º Leste) – O trio Desmond Bane, Franz Wagner e Paolo Banchero melhora o offensive rating em 5,4 pontos quando está junto, mas a franquia regrediu da 3ª para a 9ª melhor defesa. A missão de Jamahl Mosley é resgatar a proteção de aro (oponentes chutam 66,2% no restricted area contra 61,8% em 2024-25).
Charlotte Hornets (9º Leste) – De janeiro em diante, ataque histórico: 121,7 pontos por 100 posses, 2º melhor da liga, impulsionado pelos 41,3% de três do calouro Kon Knueppel. O problema segue no clutch: aproveitamento de 32,6% do campo nos últimos três minutos de jogos decididos por até cinco pontos (29º lugar).
Miami Heat (10º Leste) – Quarta presença consecutiva. A defesa ainda é top-5, ancorada por Bam Adebayo (27,6% de aproveitamento permitido perto da cesta). Porém, o ataque despenca sem Jimmy Butler – fora da temporada – e depende da criação de Tyler Herro (usage 30,1%).
Phoenix Suns (7º Oeste) – Melhor rating defensivo entre os oito (109,4). A dupla Devin Booker/Dillon Brooks pressiona linhas de passe e gera 15,9 pontos por jogo em transição, 3ª marca da NBA. A ausência de um criador secundário experiente pode pesar em posses decisivas.
Portland Trail Blazers (8º Oeste) – Primeiro time de Tiago Splitter como técnico principal. Portland força 14,8 desperdícios rivais por noite, mas depende da saúde de Jrue Holiday. Quando ele, Deni Avdija e Shaedon Sharpe jogam juntos, o Blazers vence 63% dos jogos; sem o trio completo, cai para 41%.
LA Clippers (9º Oeste) – Recuperação pós-trocas: 25-10 desde a chegada de Darius Garland. Kawhi Leonard voltou ao patamar MVP defensivo (desvio em 3,2% das posses rivais). A rotação, no entanto, tem média de 31,4 anos, a mais alta do play-in, fator que pode afetar back-to-backs.
Imagem: Internet
Golden State Warriors (10º Oeste) – Stephen Curry retorna após perder 27 jogos; histórico no play-in: 33,8 pontos e 5,6 bolas de três de média. A adição de Kristaps Porzingis reduziu a dependência de small-ball: nos 18 jogos com o letão, os Warriors pegam 52,1% dos rebotes disponíveis (eram 48,7%).
Raio-X estatístico
Ataques mais eficientes: Hornets (121,7), Suns (118,9)
Defesas mais eficientes: Suns (109,4), Heat (110,2)
Jogador com maior média de play-in: Stephen Curry – 33,8 pts/jogo
Recorde de participações: Heat e Warriors – 4ª vez em sete anos
Brasileiros em ação: Gui Santos (Warriors) e Tiago Splitter (técnico dos Blazers)
Histórico recente: vale sonhar além do play-in?
Desde a adoção do modelo atual, apenas duas equipes saíram do play-in e chegaram às Finais de Conferência: Miami Heat (2023) e Los Angeles Lakers (2023). O precedente mostra que, embora raro, o caminho existe – especialmente para elencos experientes que se ajustam defensivamente nos playoffs.
Impacto futuro: o que cada vaga muda na rota dos favoritos
No Leste, quem herdar a 7ª posição encara o Boston Celtics; a 8ª cruza com o Milwaukee Bucks. Celtics lideram a liga em saldo (+8,9) e jogam com ritmo baixo, teste de paciência para Hornets ou Heat. Bucks, por sua vez, pontuam 15,2 pontos de contra-ataque por partida; conter Giannis Antetokounmpo exige pivôs móveis – desafio para um 76ers sem Embiid.
No Oeste, o 7º enfrenta o Denver Nuggets; o 8º, o Oklahoma City Thunder. A defesa de perímetro do Suns é top-3 contra pick-and-roll ball handler, ponto forte de Jamal Murray. Já o Thunder é o 2º time que mais troca defensivamente; uma Golden State com Curry e Porzingis saudáveis pode explorar mismatches no garrafão se chegar lá.
Conclusão: a edição 2026 do play-in reúne narrativas históricas – a estreia de Tiago Splitter no banco, o retorno de Stephen Curry e a quarta aparição consecutiva de Miami e Golden State – em um cenário de forte paridade estatística. Quem sobreviver carregará pouco descanso, mas também o ímpeto competitivo de jogos eliminatórios, fator que já mudou séries nos últimos três anos. Os primeiros capítulos dessa história começam na terça-feira; a forma como cada equipe usa (ou perde) suas estrelas determinará o roteiro dos playoffs.
Com informações de ESPN Brasil