Corinthians pode ser punido por caso de injúria racial contra Carlos Miguel? Procurador do STJD detalha à ESPN

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São Paulo, 14/04/2026 – O procurador Caio Porto Ferreira, do STJD, confirmou à ESPN que o Corinthians poderá ser denunciado caso não identifique o torcedor que praticou injúria racial contra o goleiro Carlos Miguel, do Palmeiras, durante o Dérbi do último domingo (12), na Neo Química Arena, pelo Campeonato Brasileiro.

O que diz o STJD e qual artigo pode ser aplicado

De acordo com o procurador, a conduta enquadra-se no artigo 243-G do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), que trata de práticas discriminatórias em eventos esportivos. A pena prevista vai de multa (R$ 100 a R$ 100 mil) até perda de mando de campo de cinco a dez partidas, além de possível exclusão de competições em casos extremos. Se o autor for identificado, ele também pode ser proibido de frequentar estádios por até 720 dias e responder criminalmente com base na Lei 14.532/23, que equipara o crime de injúria racial ao de racismo.

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Responsabilidade objetiva do mandante: por que o Corinthians pode ser punido mesmo sem identificar o agressor

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O CBJD adota o princípio da responsabilidade objetiva do clube mandante. Em outras palavras, mesmo que o Corinthians condene publicamente o ato – como fez em nota oficial – ele é responsável pela segurança interna e pelo comportamento de seus torcedores. Caso a identificação do infrator não ocorra, o STJD costuma aplicar sanções pedagógicas ao clube para estimular mecanismos de prevenção, como:

  • Instalação de novos métodos de identificação facial;
  • Campanhas educativas antes e durante os jogos;
  • Treinamento adicional de seguranças e stewards.

Raio-X: punições por racismo no futebol brasileiro (2022-2025)

Dados consolidados pelo STJD apontam que, entre 2022 e 2025, 12 processos envolvendo atos discriminatórios foram julgados na esfera esportiva nacional. Destes:

  • 7 resultaram em perda de mando de campo;
  • 10 renderam multas superiores a R$ 30 mil;
  • 3 casos envolveram a identificação do agressor, que recebeu interdição de acesso a estádios por até 540 dias.

A maior sanção recente foi aplicada ao Sport em 2024: perda de oito mandos de campo e multa de R$ 100 mil após ofensas racistas registradas em vídeo durante jogo da Série B.

Calendário alvinegro: riscos esportivos imediatos

O Corinthians tem uma sequência decisiva nas próximas duas semanas:
15/04 – vs. Santa Fe (Libertadores) – Neo Química Arena
18/04 – vs. Vitória (Brasileirão) – Barradão
21/04 – vs. Barra (Copa do Brasil) – Estádio Dr. Hercílio Luz

Caso o STJD opte por aplicar perda de mando já em caráter liminar – prática adotada em episódios recentes – o clube poderia ser obrigado a jogar portões fechados ou em local neutro ainda na fase de grupos da Libertadores. Do ponto de vista financeiro, cada partida sem público na Arena representa, segundo balanço de 2025, perda estimada de R$ 3,2 milhões em bilheteria e serviços agregados.

Próximos passos da investigação

A Delegacia de Repressão aos Delitos de Intolerância Esportiva (DRADE) solicitou as imagens internas do estádio e analisa vídeos publicados nas redes sociais. A eventual identificação do infrator pode mitigar a responsabilidade do clube perante o STJD, mas não extingue a possibilidade de multa. A procuradoria aguarda o inquérito para oferecer denúncia formal, o que deve ocorrer ainda nesta semana.

Conclusão prospectiva: a celeridade na identificação do torcedor é decisiva para que o Corinthians reduza o impacto esportivo e financeiro do episódio. Com adversários diretos em competições distintas, qualquer perda de mando pode reconfigurar o planejamento tático do técnico e comprometer a receita imediata do clube – tópico que deve ganhar novos capítulos tão logo o STJD receba o relatório policial.

Com informações de ESPN

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