Quem (FIFA e Gianni Infantino), o quê (estudam pedir a Donald Trump a suspensão temporária das operações do ICE), quando (para o período de 39 dias da Copa do Mundo de 2026), onde (nos 11 estados norte-americanos que receberão 78 partidas) e por quê (para evitar prisões em massa de torcedores estrangeiros e eventuais protestos que afetem o torneio).
Por que a FIFA teme as ações do ICE
Desde que Donald Trump reassumiu a Casa Branca em janeiro de 2025 para um segundo mandato, a imigração voltou ao centro da política interna. O Immigration and Customs Enforcement (ICE) passou a realizar batidas diárias que, de acordo com dados enviados ao Washington Post, resultam em aproximadamente mil detenções por dia, 42% delas envolvendo pessoas sem antecedentes criminais. A escalada inclui casos fatais, como as mortes de Renee Good e Alex Pretti em Minnesota, que acenderam o alerta nos bastidores da FIFA.
Com milhões de visitantes esperados, qualquer operação migratória próxima aos estádios pode gerar conflitos, atrasos e até boicotes. Ligas nacionais, federações estrangeiras e entidades de direitos humanos já questionam a entidade sobre garantias de segurança para torcedores.
O peso da relação Infantino–Trump
Gianni Infantino manteve presença frequente no Salão Oval e em reuniões do chamado Conselho da Paz de Donald Trump, construindo um canal direto com o presidente. Internamente, dirigentes veem essa proximidade como a última cartada para assegurar uma “zona de paz migratória” nos dias de jogo, repetindo acordos de flexibilização de vistos realizados em outras edições — como Brasil-2014 e Rússia-2018 —, porém adaptados à realidade norte-americana.
Raio-X: números que explicam o problema
- 78 jogos distribuídos por 11 cidades dos EUA entre 11 de junho e 19 de julho de 2026.
- Mil prisões diárias do ICE nas seis semanas após 24 de janeiro de 2026; 42% dos detidos sem ficha criminal.
- Estimativa de 5,5 milhões de turistas internacionais ao longo do torneio (FIFA Fan Study 2025).
- 4 seleções cujos torcedores encaram maiores restrições de visto hoje: Costa do Marfim, Senegal, Haiti e Irã.
- US$ 14 bilhões é a projeção de impacto econômico direto do Mundial em solo norte-americano, segundo o Comitê Organizador.
Como o impasse pode mexer com a Copa
Uma eventual ausência de acordo:
- Pode inibir a compra de ingressos por parte de torcedores de países com maior risco migratório.
- Eleva custos de seguro e de segurança privada para FIFA e cidades-sede.
- Aumenta a probabilidade de protestos dentro e fora das arenas, exigindo desdobramento policial que encarece a operação do evento.
Por outro lado, um moratória temporária do ICE transferiria o foco operacional da agência para investigações de proteção interna — como já indicou o diretor interino Todd Lyons —, deixando a triagem de imigração para autoridades aduaneiras nos aeroportos, modelo similar ao usado durante a Copa América Centenário em 2016.
Imagem: Internet
Próximos passos e cenários
Fontes do The Athletic indicam que Infantino está “receptivo” a formalizar o pedido ainda em abril, antes da última reunião do Conselho da FIFA pré-Copa. Caso Trump aceite, o acordo precisará ser ratificado pelos departamentos de Segurança Interna e Justiça dos EUA, além de comunicado às câmaras municipais das 11 cidades-sede para alinhar protocolos locais.
Sem sinal verde até maio, cresce a chance de federações recomendarem cautela a suas torcidas ou até requisitarem setores exclusivos nos estádios, estratégia vista na Euro 2020 durante a pandemia.
Conclusão prospectiva: se a moratória sair, a FIFA acalmará investidores, patrocinadores e seleções, garantindo o clima festivo que costuma impulsionar a audiência global. Se falhar, o Mundial de 2026 corre o risco de trocar o recorde de inclusão — prometido por Infantino ao ampliar o torneio para 48 participantes — por manchetes sobre detenções e protestos, tema que deve dominar a pauta até a bola rolar.
Com informações de Trivela