Arsenal e Sporting empataram por 0 a 0 nesta quarta-feira (15/04), no Emirates Stadium, resultado que garantiu aos ingleses a vaga na semifinal da Champions League graças à vitória por 1 a 0 obtida em Lisboa; ainda assim, o rendimento aquém do esperado manteve as dúvidas sobre o momento da equipe de Mikel Arteta.
Classificação que não dissipa a desconfiança
O cenário parecia favorável ao Arsenal: vantagem mínima conquistada fora de casa, estádio lotado e dominância territorial desde o apito inicial. No entanto, a posse (64%) não se converteu em chances claras — foram apenas 3 finalizações no alvo em 90 minutos. O Sporting, mesmo necessitando de vitória, limitou-se a contra-ataques esporádicos e quase surpreendeu em chute de Catamo na trave. A equipe londrina controlou os riscos defensivos, mas careceu de inventividade no terço final, repetindo a irregularidade que motivou recentes eliminações na Copa da Liga e na Copa da Inglaterra.
Eberechi Eze: o ponto fora da curva no ataque engessado
Contratado em 2025 para ampliar o leque criativo, Eberechi Eze foi o principal facilitador de espaços, liderando o time em passes progressivos (7) e dribles completados (4). Posicionado como meia interior pela esquerda no 4-3-3, ele recuou para receber entrelinhas, atraindo volantes adversários e gerando superioridade numérica rapidamente. Faltou, porém, sincronia dos pontas para atacar a última linha rival, o que explica os poucos passes para finalização (apenas 6 de todo o elenco).
Raio-X estatístico: por que o Arsenal perdeu potência ofensiva?
- Gols marcados na temporada 2025/26: 98 em 49 jogos (média 2,0) — nos últimos 8 compromissos, a média caiu para 1,1.
- Grandes chances criadas (Opta): 109 no total, mas somente 5 nas quatro partidas mais recentes.
- Conversão de finalizações: 14,8% até fevereiro; 9,3% desde março.
- Pressão pós-perda: índice PPDA* de 8,7 nas primeiras fases da Champions, saltando para 11,4 contra Sporting, sinal de menor intensidade.
*PPDA = Passes Permitidos por Ação Defensiva (quanto menor, mais pressão).
Atlético de Madrid pela frente: choque de estilos
O adversário na semifinal será o Atlético de Madrid, que superou o Barcelona por 3 a 2 no agregado. O time de Diego Simeone registrou 10,7 recuperações no terço ofensivo por jogo nesta Champions, sinal de pressão coordenada que pode explorar a saída curta dos Gunners. Além disso, o centroavante Julián Álvarez vive fase artilheira (6 gols), exigindo atenção de Saliba e Gabriel Magalhães no jogo aéreo.
Imagem: David Klein
Premier League volta ao radar: decisão no Etihad
Antes de pensar na Champions, o Arsenal visita o Manchester City no domingo (19), duelo direto entre líder e vice-líder da Premier League. A equipe de Pep Guardiola tem o melhor ataque do torneio (81 gols) e a segunda menor média de xG contra (0,89). Um novo tropeço londrino recolocaria o City na ponta e aumentaria a pressão sobre Arteta justamente no momento em que as semifinais continentais se aproximam.
Perspectiva: A vaga na semifinal mantém vivo o objetivo continental, mas a sequência de atuações sem brilho sugere que o Arsenal precisará recuperar intensidade e eficiência ofensiva rapidamente. O confronto imediato com o Manchester City será termômetro decisivo: desempenho convincente no Etihad pode resgatar confiança e indicar que a equipe ainda é capaz de entregar sua melhor versão quando a margem de erro desaparecer.
Com informações de Trivela