Madri, 20/04/2026 — Durante passagem pela capital espanhola como embaixador dos Prêmios Laureus, Ruud Gullit afirmou que Diego Simeone “está entre os melhores treinadores de todos os tempos”, destacando a longevidade de 14 anos do argentino no comando do Atlético de Madrid e sua capacidade de motivar jogadores em diferentes ciclos.
Por que a declaração de Gullit chama atenção?
Manter-se relevante no mesmo vestiário por mais de uma década é um feito raro no futebol europeu moderno. Gullit valorizou justamente esse ponto, lembrando que Simeone assumiu o Atlético em 2011, resgatou um elenco então em baixa e quebrou a hegemonia de Real Madrid e Barcelona ao conquistar a LaLiga 2013/14. O holandês avaliou que a combinação de liderança psicológica e consistência tática transformou o “Cholismo” em referência mundial.
Raio-X dos números de Simeone
• 8 títulos oficiais no Atlético (2 LaLigas, 2 Europa Leagues, 1 Copa do Rei, 1 Supercopa da Espanha, 2 Supercopas da UEFA).
• 14 temporadas completas; média de 58% de aproveitamento nos pontos da liga.
• Duas finais de UEFA Champions League (2014 e 2016) e presença na semifinal da edição 2025/26.
• Treinador mais bem pago do mundo (cerca de €34 milhões/ano, segundo relatórios financeiros do clube).
• Atlético é, hoje, o terceiro elenco mais valioso da Espanha, atrás apenas de Real Madrid e Barcelona, segundo o site Transfermarkt.
O contraste entre legado e desempenho recente
Apesar do histórico vitorioso, o Atlético completa cinco temporadas sem levantar um troféu de expressão. A derrota para a Real Sociedad na final da Copa do Rei 2025/26 ampliou a pressão sobre Simeone, especialmente após investimentos significativos em reforços como Samu Omorodion, Hermoso e Reinildo. A análise fria indica um possível “teto tático”: o modelo defensivo de linhas baixas, que já surpreendeu gigantes, hoje encontra maior dificuldade frente a adversários que exploram posse de bola prolongada e amplitude.
Impacto imediato na temporada 2025/26
• LaLiga: o Atlético ocupa a 3ª posição, 9 pontos atrás do líder Real Madrid, restando seis rodadas.
• Champions League: semifinal contra o Manchester City em maio; título continental seria a primeira taça desde a LaLiga 2020/21.
• Planejamento de elenco: veteranos como Koke e Griezmann entram no último ano de contrato, enquanto jovens como Pablo Barrios pedem mais minutos — desafio adicional para a gestão de grupo de Simeone.
Imagem: Andres Lopez
O que vem pela frente?
Se o Atlético obtiver sucesso na Champions, Simeone reforçará o argumento de Gullit sobre sua grandeza histórica. Caso contrário, o clube pode revisar o projeto esportivo para 2026/27, avaliando renovação de filosofia ou até possível sucessão técnica. A longevidade do argentino seguirá sendo um caso de estudo, mas a continuidade dependerá cada vez mais de resultados tangíveis.
Conclusão — A fala de Ruud Gullit ressalta a dimensão histórica de Diego Simeone, mas também evidencia o momento de encruzilhada vivido pelo Atlético de Madrid. Entre legado e necessidade de títulos imediatos, os próximos 60 dias — com reta final de LaLiga e semifinal de Champions — indicarão se o “Cholismo” ainda pode gerar conquistas ou se o projeto demandará ajustes profundos para a temporada seguinte.
Com informações de Trivela