Zurique (SUI), 27/04/2026 – Às vésperas do Congresso da Fifa marcado para 30 de abril, a presidente da Federação Norueguesa de Futebol (FNF), Lise Klaveness, declarou ao portal The Athletic que defenderá a extinção imediata do recém-criado Prêmio da Paz da Fifa, honraria que teve seu primeiro laureado em dezembro de 2025: o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Por que a FNF quer o fim do prêmio?
Klaveness sustenta que a Fifa deve manter “distância considerável de líderes mundiais” para preservar a neutralidade política prevista em seu estatuto. Segundo a dirigente, o futebol já cumpre um papel social amplo e não necessita competir com o Prêmio Nobel da Paz, tradicionalmente concedido por um comitê independente em Oslo. “Ter um júri e critérios definidos é um trabalho em tempo integral”, afirmou, sinalizando que a Fifa não dispõe de estrutura de governança para isso.
Entenda a criação do Prêmio da Paz da Fifa
Anunciado em novembro de 2025 pela gestão Gianni Infantino, o prêmio foi apresentado como um reconhecimento a “indivíduos que uniram pessoas em prol da paz”. Contudo, não houve consulta prévia ao Conselho da Fifa nem divulgação da lista de indicados, o que gerou críticas imediatas. A escolha de Trump, aliado público de Infantino, alimentou suspeitas de motivação política e levou organizações como a FairSquare a protocolar denúncia no Comitê de Ética da entidade.
Raio-X: transparência e governança em debate
- Procedimento não aprovado: estatuto da Fifa exige avaliação do Conselho para novas premiações.
- Critérios sigilosos: a entidade não divulgou membros do júri, método de votação ou justificativa técnica.
- Quatro possíveis violações: segundo a FairSquare, Infantino teria infringido regras de neutralidade política, uso de cargo para benefício de terceiro, falta de transparência e potencial conflito de interesses.
- Precedentes: desde 2016, a Fifa adota um Código de Ética revisado após o escândalo de corrupção de 2015; a criação do prêmio sem aval formal contraria a diretriz de “boa governança”.
Impacto no Congresso da Fifa e na imagem institucional
O pedido norueguês será levado às federações membros nesta quinta-feira. Caso ganhe tração, há três possíveis consequências:
- Abolição imediata do prêmio, prevenindo futuras indicações e reduzindo a exposição política.
- Abertura de inquérito interno sobre a conduta de Infantino, o que poderia culminar em advertência ou sanção ética.
- Revisão do estatuto para blindar a entidade de iniciativas pessoais da presidência sem sinal verde do Conselho.
O que esperar dos próximos capítulos?
A movimentação liderada pela Noruega adiciona pressão sobre Infantino justamente quando ele busca apoio para novos projetos, como o Mundial de Clubes ampliado em 2029. Se outras federações europeias – e, sobretudo, sul-americanas – aderirem à proposta, a pauta pode chegar à votação em 2027, ano de revisão estatutária ordinária da Fifa. Até lá, o episódio servirá de teste à promessa de reformas de governança feitas após 2016.
Imagem: Imago
Conclusão prospectiva: Se confirmada a extinção do Prêmio da Paz, a Fifa envia sinal de que ouviu o clamor por neutralidade e transparência, mas também expõe a fragilidade de seus freios internos. O desfecho pode redefinir os limites do protagonismo político da entidade e influenciar diretamente a relação de Infantino com federações-chave na preparação para a Copa do Mundo de 2030.
Com informações de Trivela