Paris, 2026 — Mauricio Pochettino revelou, em entrevista ao podcast “Stick to Football”, os bastidores da controvertida substituição de Lionel Messi aos 75 minutos da vitória do Paris Saint-Germain sobre o Lyon, em 19 de setembro de 2021, no Parc des Princes. Segundo o treinador, a mudança foi recomendada pelo departamento médico para preservar o joelho esquerdo do camisa 10, mas a falta de comunicação prévia com o craque gerou repercussão negativa na França e na Argentina — a ponto de o técnico ser questionado até pela própria esposa ao chegar em casa.
Por que Pochettino decidiu tirar Messi?
De acordo com Pochettino, exames indicavam risco de agravamento de uma contusão sofrida por Messi dias antes, diante do Club Brugge, pela Champions League. A comissão temia que uma sobrecarga pudesse comprometer a campanha continental do PSG e até a participação do jogador na Copa do Mundo de 2022, então ainda distante.
O técnico optou pela prevenção, mas admitiu ter cometido um erro de processo: “Talvez meu equívoco tenha sido não conversar antes com ele”, disse no podcast. A ausência de aviso surpreendeu Messi no momento da placa de substituição, gerando a expressão contrariada que viralizou em transmissões e redes sociais.
Pressão dentro e fora do vestiário
Além da reação do próprio Messi, Pochettino relatou cobrança imediata do diretor esportivo Leonardo: “O público paga para vê-lo os 90 minutos”, ouviu o treinador ainda no vestiário. Na imprensa, as críticas ressalvaram que nem Pep Guardiola costumava retirar o argentino em jogos decisivos. O episódio simbolizou a dificuldade do técnico em equilibrar gestão física, vaidades de um elenco estrelado — Messi, Neymar e Mbappé — e expectativa pelo espetáculo em Paris.
Raio-X de Messi na temporada 2021/22
- Partidas pelo PSG: 34
- Gols: 11
- Assistências: 15
- Minutos em campo: 2.840 (média de 83 min por jogo)
- Lesões registradas: 4 (joelho, tornozelo e duas musculares), segundo dados públicos do Transfermarkt
- Número de vezes substituído na Ligue 1: 3
Os dados indicam que a gestão de minutos não impediu a produção ofensiva: Messi foi líder de assistências da Ligue 1 2021/22 (13 passes para gol) e encerrou a temporada como terceiro maior garçom da Champions (5).
Consequências para PSG, Messi e Pochettino
A relação desgastada entre elenco e comissão técnica se refletiu no fim da temporada: Pochettino deixou o clube em julho de 2022; Messi e Neymar saíram em 2023, enquanto Mbappé partiu em 2024. Já o PSG, reestruturado sob Luis Enrique, conquistou a tão esperada Champions League em 2024/25.
Para Messi, a preocupação médica de 2021 acabou validada em retrospecto: ele chegou em plena forma à Copa do Mundo de 2022 e liderou a Argentina ao tricampeonato. Pochettino, por sua vez, assumiu a seleção dos Estados Unidos em 2025 e cita o episódio como aprendizado sobre comunicação com jogadores-chave.
Imagem: IMAGO
O que esse caso ensina sobre gestão de estrelas
1. Transparência é mandatória: mesmo decisões baseadas em dados médicos podem fracassar sem alinhamento prévio com o atleta.
2. Expectativa comercial x saúde do jogador: clubes com alto apelo midiático, caso do PSG, convivem com a pressão de manter astros em campo, o que exige protocolos claros entre departamento médico, comissão técnica e diretoria.
3. Planejamento de longo prazo: preservar minutos em setembro pode ser decisivo para chegar inteiro a maio — lição relevante para o ciclo 2026 da USMNT sob Pochettino.
Impacto futuro
Com a Copa do Mundo de 2026 sediada parcialmente nos Estados Unidos, a experiência de Pochettino no PSG tende a influenciar sua gestão de minutos de figuras como Christian Pulisic e Giovanni Reyna. A atenção redobrada à comunicação interna pode evitar choques semelhantes, enquanto a cultura de dados adotada no clube parisiense servirá de modelo para a federação norte-americana.
Conclusão: A substituição de Messi em 2021 ilustra o embate permanente entre performance física e pressão por entretenimento em clubes de elite. Ao relembrar o episódio, Pochettino oferece um estudo de caso que pode moldar não apenas sua atuação à frente da seleção dos EUA, mas também inspirar outros treinadores na era dos calendários sobrecarregados e das superestrelas globais.
Com informações de Trivela