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    Cadeirante, torcedor do Vasco fala sobre sua experiência em São Januário e em outros estádios no Brasil e no exterior

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    Rio de Janeiro, 22 de setembro de 2025 – O torcedor do Vasco da Gama Cláudio Bazoli, cadeirante, utiliza o projeto “Caçadores de Estádios de Futebol” para avaliar a acessibilidade de 209 estádios, em 22 países, incluindo o clássico São Januário. A iniciativa ganhou projeção às vésperas do Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência (21/9), reforçando a necessidade de estruturas adequadas e de mudança de cultura nas arquibancadas.

    De São Januário ao mundo: a gênese dos “Caçadores de Estádios”

    O perfil criado por Cláudio e pela esposa, Karla Bazoli, nasceu em 2013 após dificuldades enfrentadas para assistir aos jogos do Vasco. Já são 33 estádios visitados somente no Rio de Janeiro, etapa de um plano mais ambicioso: ver uma partida em todos os 26 estados brasileiros e no Distrito Federal até o início de 2026. O casal utiliza cada viagem para registrar rampas, elevadores, sinalização, visão do gramado e comportamento do público, fatores que compõem a nota final de cada arena.

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    O veredito sobre São Januário: avanços pontuais antes da reforma

    Inaugurado em 1927, o estádio vascaíno acumula restrições típicas de construções quase centenárias. Entre os pontos criticados estão a entrada improvisada pela garagem e a visão obstruída nas arquibancadas. Uma demanda recente – a instalação de guarda-corpos na social – foi atendida, mas Cláudio continua em diálogo com o clube para que o projeto de modernização inclua:

    • Circulação nivelada entre estacionamento, rampas e setores.
    • Áreas exclusivas para cadeiras de rodas em diferentes preços de ingresso.
    • Rotas de fuga compatíveis com a Lei Brasileira de Inclusão (13.146/2015) e com a NBR 9050.

    Maracanã, Mineirão e companhia: arenas modernas versus comportamento do torcedor

    Mesmo com rampas e elevadores, o Maracanã apresenta falhas recorrentes de fiscalização. Torcedores em pé invadem o espaço reservado, prejudicando a visão dos PCDs. No Mineirão, o cadeirante visitante chegou a ser carregado por escadas por falta de acesso ao anel superior, protegido por tombamento. Situação semelhante ocorre no Estádio Nilton Santos e em outras praças, onde o problema muda de estrutural para comportamental conforme o setor (mandante ou visitante).

    Raio-X da jornada de acessibilidade

    – 209 estádios avaliados
    – 22 países visitados
    – 4 arenas listadas como piores: Al-Bayt (Qatar), La Huerta (Paraguai), Arena Fonte Nova (BA) e Kleber Andrade (ES)

    Mesmo arenas de Copa do Mundo, como Al-Bayt, receberam avaliações negativas, evidenciando que tecnologia de construção não garante experiência inclusiva caso a operação não zele por fluxos, sinalização e acomodação adequada.

    Normas brasileiras e boas práticas: onde os clubes podem evoluir

    A Lei Geral do Esporte (2023) reforça a obrigação de acessibilidade plena, enquanto a NBR 9050 detalha dimensões mínimas de rampas, corrimãos e sanitários. Experiências positivas como a Ligga Arena, que oferece setor visitante com plataforma elevada e percurso coberto desde o portão, indicam caminhos de curto prazo para clubes e concessionárias:

    • Treinar orientadores para bloquear invasões de área acessível.
    • Disponibilizar cadastro on-line de gratuidades com validação pré-jogo.
    • Implantar salas sensoriais para neurodivergentes.

    Próximos passos: impacto para a torcida e para o calendário de 2026

    Com a reforma de São Januário em fase de projeto, o Vasco pretende convidar Cláudio a reuniões com arquitetos, sinalizando possível ganho de competitividade em eventos caso o estádio seja referência em inclusão. No âmbito nacional, a meta de “zerar” os 27 entes federativos até 2026 vai gerar um banco de dados valioso para federações e para a CBF, que discute novo licenciamento de clubes inspirado nos critérios da UEFA – acessibilidade é um dos parâmetros obrigatórios.

    No curto prazo, as avaliações dos “Caçadores” tendem a influenciar protocolos de segurança para as Eliminatórias de 2025 e para a Série A de 2026, pressionando gestores a responder antes de perder público ou sofrer sanções legais.

    Conclusão: a jornada de Cláudio e Karla expõe que acessibilidade em estádios vai além de rampas – depende de planejamento técnico, gestão de fluxo e educação dos torcedores. As futuras reformas, começando por São Januário, serão teste crucial para que o discurso de “futebol para todos” se traduza em prática até a próxima temporada.

    Com informações de Netvasco

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