Quem: Wesley Sneijder, ex-meia da Internazionale e vice-campeão mundial com a seleção neerlandesa.
O quê: Criticou publicamente a forma como o Barcelona celebra o bicampeonato de LaLiga apesar de uma década sem títulos europeus.
Quando: Declaração veio após a conquista do torneio nacional, oficializada no domingo, 10 de maio de 2026.
Onde: Barcelona (ESP), em meio às celebrações pelas ruas da Catalunha.
Por quê: Para Sneijder, a euforia blaugrana contrasta com os recorrentes fracassos do clube na Champions League.
Por que a fala de Sneijder repercute tanto?
Wesley Sneijder é uma voz respeitada quando o assunto é futebol continental. Campeão da Champions League 2009/10 pela Inter – eliminando o Barcelona de Pep Guardiola na semifinal – o ex-meia sabe o peso que a competição europeia tem no status de um clube de elite. Por isso, sua crítica mira no paradoxo catalão: domínio interno, mas desempenho aquém do esperado fora da Espanha.
Dez anos sem Champions: a cronologia das quedas blaugranas
Desde o sexto título europeu conquistado em 2014/15, o Barcelona acumulou eliminações marcantes:
- 2015/16 – Quartas de final, eliminado pelo Atlético de Madrid;
- 2016/17 – Quartas, queda diante da Juventus;
- 2017/18 – Quartas, virada histórica da Roma;
- 2018/19 – Única semifinal na década, derrota para o Liverpool (4 × 0 em Anfield);
- 2019/20 – Quartas, goleada de 8 × 2 para o Bayern de Munique;
- 2020/21 – Oitavas, superado pelo Paris Saint-Germain;
- 2021/22 e 2022/23 – Eliminações ainda na fase de grupos;
- 2023/24 – Quartas, caiu para o Manchester City;
- 2024/25 e 2025/26 – Quartas, ambas para o Atlético de Madrid.
Ou seja, em nove das últimas onze edições, o time não passou das quartas – um contraste evidente com a era vencedora de 2006 a 2015.
Raio-X do bicampeonato de LaLiga
Mesmo sob críticas, o desempenho doméstico apresenta números robustos:
- Pontos: 94 em 36 rodadas, com chance matemática de chegar aos 100;
- Campanha fora de casa: 15 vitórias em 18 jogos – melhor rendimento como visitante desde 2012/13;
- Gols marcados: 82 – média de 2,27 por partida;
- Artilheiro: Robert Lewandowski (25 gols);
- Revelação: Lamine Yamal, 18 anos, envolvido em 19 participações diretas em gol.
Esses indicadores reforçam que o trabalho de Hansi Flick devolveu estabilidade doméstica, mas ainda não equacionou o “dilema Champions”.
Comparações que inflamam o debate
Sneijder também ironizou a empolgação com Yamal, destacando que o jovem soma três ligas – uma a mais do que Cristiano Ronaldo conquistou na Espanha – mas que títulos nacionais não devem pautar o debate sobre grandeza europeia. Para o neerlandês, a métrica-chave permanece sendo a Liga dos Campeões.
Imagem: Internet
O que muda para 2026/27?
Dentro do clube, a diretoria entende que manter Flick até 2028 é a peça central de um projeto que inclui:
- Reforço pontual de zagueiro de elite, após a venda de Íñigo Martínez;
- Elevação da minutagem de Yamal, Fermín López e Guiu para reduzir a folha salarial;
- Objetivo explícito de voltar pelo menos à semifinal da Champions em 2026/27.
No curto prazo, restam duas rodadas de LaLiga. O Barcelona visita o Alavés nesta quarta (13) e fecha contra o Sevilla, buscando igualar as campanhas de 100 pontos de 2011/12 (Real Madrid) e 2012/13 (próprio Barça). Atingir essa marca criaria impulso estatístico e anímico antes da pré-temporada.
Conclusão prospectiva: A crítica de Sneijder escancara o desafio iminente: transformar hegemonia doméstica em competitividade europeia. Se Flick conseguir sustentar o atual nível de consistência na Espanha e ajustar o time para fases agudas da Champions, o Barcelona poderá, enfim, casar discurso e performance continental. Caso contrário, novas comemorações locais seguirão sob o olhar desconfiado de figuras como Sneijder — e do próprio mercado, sempre atento a quem domina onde realmente importa para a marca global do futebol.
Com informações de Trivela