Corinthians é condenado e vai ter que pagar milhões para jogador que deixou o clube recentemente

São Paulo, 12 de maio de 2024 – O Corinthians foi condenado em segunda instância a indenizar o ex-jogador da base Kauê Moreira de Souza e a pagar-lhe pensão mensal depois de uma grave lesão no joelho que abreviou a sua carreira. A decisão, publicada nesta semana pelo Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região, eleva o valor por danos morais e estende a pensão até que o atleta complete 75 anos.

Entenda a sentença em 2ª instância

Os desembargadores reformularam parcialmente a decisão de primeiro grau:

Anúncios
Anúncios
  • Danos morais: de R$ 50 mil para R$ 200 mil.
  • Danos materiais: 12 salários de R$ 12 mil (referência de 2021), totalizando R$ 144 mil.
  • Pensão vitalícia: 15% do salário-base (R$ 1.800) até que o ex-atleta complete 75 anos. Na sentença original, o valor era 100% do salário até os 35 anos.

Kauê, que nunca atuou pelo time profissional, argumentou ter ficado sem o devido respaldo médico e financeiro após a contusão sofrida nas categorias de base. O Tribunal entendeu que o clube tem responsabilidade sobre a integridade física dos atletas sob contrato.

Quanto o Corinthians pode ter que desembolsar?

Embora o clube estude quitar o montante à vista para evitar atualizações monetárias, o custo final depende da idade de Kauê, não divulgada no processo. Caso o ex-jogador tenha, por exemplo, 25 anos, seriam cerca de 50 anos de pensão:

  • R$ 1.800 x 12 meses x 50 anos ≈ R$ 1,08 milhão (valores nominais, sem correção).
  • Somados aos R$ 344 mil já definidos (morais + materiais), o passivo ultrapassaria R$ 1,4 milhão.

O valor pode ser maior ou menor conforme a idade real e os índices de correção monetária. Mesmo no cenário otimista de pagamento único, o desembolso pressiona o fluxo de caixa alvinegro.

Dívidas trabalhistas e o impacto no caixa alvinegro

Em seu último balanço, o Corinthians declarou um passivo total próximo de R$ 1,5 bilhão, com ações trabalhistas representando parcela relevante. Segundo levantamento do clube, mais de 350 processos estavam em curso no fim de 2023, incluindo casos de ex-jogadores, funcionários e fornecedores.

Decisões como a de Kauê Moreira não apenas aumentam o valor absoluto da dívida, mas também dificultam acordos futuros, pois criam jurisprudência que beneficia outros reclamantes com histórico semelhante de lesão na base.

Corinthians é condenado e vai ter que pagar milhões para jogador que deixou o clube recentemente - Imagem do artigo original

Imagem: Reodrigo Coca

Próximos passos jurídicos e desdobramentos esportivos

A defesa corintiana ainda pode interpor recurso de revista ao Tribunal Superior do Trabalho (TST). Caso opte por essa via, o clube ganha tempo, mas arca com depósitos recursais e correção monetária. Se a estratégia for o pagamento integral imediato, o Timão precisará renegociar prazos com credores ou usar receitas extraordinárias – como vendas de atletas – para não comprometer o orçamento de 2024.

Dentro de campo, o impacto é indireto, mas sensível: com menos margem para investir em contratações, o departamento de futebol pode priorizar atletas da base ou operações de baixo custo, mantendo a folha salarial sob controle.

Em síntese, a condenação coloca mais pressão sobre a gestão financeira do Corinthians e reforça a necessidade de políticas preventivas de saúde e seguridade na base. O desfecho do recurso no TST – ou a decisão de quitar a dívida à vista – será decisivo para medir o real impacto nos cofres alvinegros e na capacidade de investimento do clube na próxima janela de transferências.

Com informações de Sou Timão

Anúncios

Artigos relacionados

Anúncio spot_img

Artigos recentes