Boulogne-Billancourt (França), 14/05/2026 – Didier Deschamps confirmou que ficará livre de contrato logo após a Copa do Mundo de 2026 e, segundo o La Gazzetta dello Sport, aparece como nome favorito para assumir a seleção italiana, que não disputa o Mundial há três edições consecutivas.
Por que a Azzurra mira Deschamps?
A Federação Italiana encara um de seus piores ciclos: ausência nos Mundiais de 2018, 2022 e 2026. A busca por um técnico com currículo vencedor e experiência em gestão de vestiário tornou Deschamps um alvo natural. Além de ter conquistado a Copa do Mundo como jogador (1998) e treinador (2018) – feito igualado apenas por Zagallo e Beckenbauer –, o francês trabalha há 14 anos à frente da França, mostrando capacidade de manutenção de alto rendimento por longo prazo.
Conexão Itália–Deschamps: trajetória construída em Turim
Entre 1994 e 1999, Deschamps vestiu a camisa da Juventus, onde ganhou:
- 1 Champions League (1995/96)
- 3 Campeonatos Italianos
- 1 Copa da Itália
- 1 Supercopa da UEFA
- 1 Copa Intercontinental
A passagem foi decisiva para que o francês dominasse o idioma e a cultura do futebol local. Em 2006/07, já técnico, ele retornou à Juve para liderar o time no acesso pós-rebaixamento, experiência que o aproximou novamente do ambiente federativo italiano.
Raio-X de Deschamps pela França
Período: 2012-2026 (14 anos)
Jogos: 176
Vitórias: 114 (64,8%)
Empates: 35
Derrotas: 27
Títulos principais: Copa do Mundo 2018, Nations League 2021
Campanhas de destaque: vice na Copa 2022, vice na Euro 2016
O encaixe tático: o que Deschamps pode oferecer à Itália
Historicamente adepto de um 4-2-3-1/4-3-3 híbrido, Deschamps prioriza blocos compactos, transições rápidas e um meio-campo com capacidade de retenção. Elementos que atendem a carências recentes da Itália, cujas equipes têm alternado entre linhas de cinco defensores e 3-4-3 sem consolidar identidade ofensiva. A experiência do francês em gerir perfis jovens e veteranos (caso de Mbappé e Giroud em 2018) é vista como fundamental para acelerar a maturação de uma nova geração italiana pós-crise.
Imagem: Sandra Ruhaut
Impacto potencial e próximos passos
Um eventual acerto só pode ser selado depois da Copa, mas o simples flerte já mexe com o planejamento federativo. A Itália tem amistoso marcado contra a França em outubro pela Nations League; o confronto servirá de termômetro técnico e político. Para Deschamps, comandar a Azzurra representaria chance de entrar no seleto grupo que treinou duas potências europeias distintas em fase final de Mundial.
Se confirmado, o movimento pode redefinir o cenário das Eliminatórias para 2030, pois a Itália teria, pela primeira vez em quase duas décadas, um treinador campeão mundial ativo. Já Deschamps passaria a trabalhar na liga em que mais consome jogadores para suas convocações, criando sinergia direta com o desenvolvimento local de talentos.
Até lá, o foco do técnico permanece no Mundial de 2026. Mas a porta aberta com a FIGC sinaliza que o ciclo de renovação do futebol italiano pode começar tão logo o apito final da Copa soe.
Com informações de Trivela