Manchester (ING), 25/05/2026 — Bernardo Silva revelou que, em fevereiro de 2023, Pep Guardiola chegou a treiná-lo como zagueiro para o confronto decisivo entre Manchester City e Arsenal pela Premier League, partida vencida pelos Citizens por 3 × 1 no Emirates Stadium. A declaração, publicada pelo The Athletic, ganhou novos contornos porque marca a reta final da passagem de ambos pelo clube: Guardiola e o meio-campista deixaram o Etihad no último domingo (24).
A gênese da ideia: por que Bernardo poderia ser zagueiro?
Guardiola buscava neutralizar a construção curta do Arsenal, então líder do campeonato, sem sacrificar a saída de bola qualificada. Bernardo, canhoto habilidoso e com leitura de espaço acima da média, aparecia como solução de último momento. A opção original previa Nathan Aké na lateral esquerda e uma dupla de zaga portuguesa com Rúben Dias pelo lado direito e Bernardo pelo lado esquerdo. Após um dia de treinos, o técnico catalão recuou: manteve Aké na zaga e deslocou o camisa 20 para a lateral, função que ele jamais havia exercido em jogos oficiais.
Versatilidade validada em campo
No Emirates, o “lateral” Bernardo empurrou o bloco defensivo para o meio quando o City tinha a bola, gerando superioridade numérica (3 × 2) contra os médios dos Gunners. Sem a posse, retornava à linha de quatro, protegendo o corredor contra Bukayo Saka. O plano funcionou: o Arsenal finalizou apenas quatro vezes no alvo e perdeu a liderança semanas mais tarde, começando a corrida de 16 partidas invictas que culminou no título inglês para o lado azul de Manchester.
Raio-X da multifuncionalidade de Bernardo Silva
Posições exercidas no City (2017-2026)
- Meia central (camisa 8) – função predominante
- Extremo direito e esquerdo
- Segundo volante
- Falso nove
- Lateral esquerdo (2 jogos oficiais)
- Treinado como zagueiro (nenhum jogo oficial)
Números gerais*
- Games: 380+
- Gols: 60+
- Assistências: 55+
- Títulos: 5 Premier Leagues, 1 Liga dos Campeões, 2 Copas da Inglaterra, 4 Copas da Liga, 2 Supercopas da UEFA e 1 Mundial de Clubes
*Dados consolidados até maio de 2026 (fontes: Premier League e UEFA)
Imagem: IMAGO
O que muda com a saída de Guardiola e Bernardo?
Sem o treinador e seu “coringa” tático, o City perde a facilidade de alternar sistemas dentro do mesmo jogo. John Stones — também de saída — era outro parte-fundamental do modelo posicional que transformava zagueiros em volantes. Com Enzo Maresca cotado para assumir, a diretoria já mapeia reforços que reproduzam a polivalência perdida, sobretudo no meio-campo canhoto e na construção entrelinhas.
Próximos passos na temporada 2026/27
O clube terá pouco mais de 40 dias até a Community Shield para repaginar seu esquema base. A tendência é que um volante com qualidade de passe — nome de perfil Rodri-like — e um lateral esquerdo híbrido estejam no topo da lista de compras. No curto prazo, Phil Foden desponta como candidato a ocupar a faixa interiorizada que Bernardo preenchia, enquanto a base pode fornecer minutos a Rico Lewis num papel “inverso” pelo lado oposto.
Conclusão prospectiva: a quase-escalação de Bernardo Silva como zagueiro sintetiza o grau de experimentação de Guardiola no City. Com a dupla fora de cena, o horizonte aponta para um elenco menos camaleônico, obrigando a nova comissão técnica a escolher entre reformular o modelo ou investir alto para recriar as peças que davam elasticidade tática ao heptacampeão inglês.
Com informações de Trivela