São Paulo, 1º de junho de 2026 – Em entrevista ao Charla Podcast, o fisioterapeuta Nilton Petrone (o “Filé”) afirmou que, se dispusesse dos recursos médicos e tecnológicos de hoje, Ronaldo Fenômeno teria prolongado a carreira e sofrido menos com as lesões graves no joelho que marcaram sua trajetória entre 1999 e 2002.
A declaração que reabre o debate sobre medicina esportiva
Filé trabalhou diretamente na recuperação do camisa 9 após a ruptura total do tendão patelar do joelho direito, em 2000, quando o jogador defendeu a Internazionale. Segundo o profissional, “com o que se sabe de tecnologia hoje, ele não teria sofrido tanto”. O processo de reabilitação, à época sem protocolos consolidados para esse tipo de lesão, durou cerca de 15 meses e envolveu mais de 90 fios de nylon fixando o tendão à patela.
Como a ciência evoluiu de 2000 para 2026
De lá para cá, a fisioterapia preventiva incorporou monitoramento por GPS, plataformas de salto, teste isocinético e softwares de inteligência artificial que identificam desequilíbrios musculares em tempo real. Em 2000, a maior parte dessas ferramentas ainda estava restrita a laboratórios acadêmicos, longe do dia a dia dos clubes.
- Reforço muscular específico – Planos individualizados de fortalecimento diminuem o risco de ruptura patelar em até 50%, segundo estudos publicados nos últimos cinco anos.
- Controle de carga – Sensores inerciais limitam picos de estresse articular, comuns em atletas explosivos como Ronaldo.
- Terapias biológicas – PRP (plasma rico em plaquetas) e células-tronco aceleram a regeneração tecidual, opção inexistente na virada do milênio.
Raio-X: a carreira de Ronaldo antes e depois da lesão
Antes da ruptura (1993-2000)
- Jogos oficiais: 356
- Gols: 262 (média 0,74 por jogo)
- Títulos: 2 Copas do Brasil, 1 Copa da Uefa, 1 Copa América, 1 Mundial Sub-17, 1 Bola de Ouro (1997)
Após a cirurgia (2002-2011)
- Jogos oficiais: 244
- Gols: 158 (média 0,65 por jogo)
- Títulos: Copa do Mundo 2002, Liga dos Campeões 2001/02 (não jogou final), 1 Liga Espanhola, 1 Brasileirão, 1 Campeonato Paulista
Ainda que tenha retornado em alto nível – sendo artilheiro do Mundial de 2002 com oito gols – o atacante relatou dores crônicas e pendurou as chuteiras aos 34 anos. A média de participações por temporada despencou de 45 para 27 jogos.
Impacto para a Seleção de 2026: um alerta atual
A fala de Filé surge no momento em que o Brasil embarca para a Copa de 2026 sem Rodrygo, Estêvão e Éder Militão, todos vetados por lesão. Neymar, embora incluído na lista, é dúvida para a estreia contra o Marrocos devido a problema muscular na panturrilha. O caso Ronaldo reforça a necessidade de protocolos preventivos robustos, mesmo com toda a tecnologia disponível.
Imagem: IMAGO
O que mudou no protocolo da CBF
Desde 2022, a comissão da Seleção implementa um Programa Integrado de Prevenção a Lesões (PIPL), que combina análise de dados de clubes, exames isocinéticos trimestrais e limite de minutos em amistosos pré-Copa. Ainda assim, a taxa de lesões musculares na elite europeia subiu 20% em 2023/24, impulsionada pelo calendário congestionado.
Conclusão: ciência como diferencial competitivo
As declarações de Nilton Petrone ilustram o salto qualitativo da medicina esportiva em pouco mais de duas décadas. Se tecnologias atuais poderiam ter dado a Ronaldo alguns anos extras em alto nível, sua história serve de lembrete de que a prevenção não é custo, mas investimento esportivo – especialmente em ciclos de Copa do Mundo cada vez mais extenuantes.
Próximos passos: a CBF estuda ampliar o PIPL para as categorias de base ainda em 2026. A adoção antecipada pode diminuir a incidência de lesões graves nos futuros “Fenômenos” e manter a Seleção competitiva no ciclo 2030.
Com informações de Trivela