FIFA admite rever protocolos contra o calor para a Copa do Mundo de 2026 após receber, nesta semana, um relatório da World Weather Attribution (WWA) que classifica como “insuficientes” as atuais medidas de proteção; o alerta ocorre dois anos antes do torneio, que acontecerá entre junho e julho nos EUA, México e Canadá, período em que 14 dos 16 estádios podem registrar índices WBGT de alto risco.
Por que o calor virou tema central na Copa 2026
A preocupação se intensificou no último Mundial de Clubes (2025), disputado no verão norte-americano. Leituras de até 34 °C em partidas realizadas em Nova Jersey e Miami mostraram que o calor impacta diretamente o rendimento esportivo, o tempo efetivo de jogo e a segurança dos torcedores. Para 2026, a coincidência com o fenômeno El Niño – que o Centro de Previsão Climática da NOAA estima em 82 % de probabilidade – pode elevar ainda mais as médias históricas.
O que diz a ciência: entendendo o WBGT
O Índice de Temperatura de Bulbo Úmido e Globo (WBGT) combina temperatura do ar, umidade, radiação solar e vento. Segundo a FIFPRO, 28 °C é o limite a partir do qual o estresse térmico se torna crítico para o futebol de alta performance.
O painel de 20 cientistas recomenda:
- Atrasar ou suspender jogos quando o WBGT ultrapassar 28 °C;
- Pausas de resfriamento de pelo menos seis minutos em cada tempo;
- Estruturas móveis de sombra e ventilação nos gramados;
- Atualização anual dos protocolos com base em novas evidências.
As respostas da FIFA até o momento
Em nota, a entidade lista quatro frentes:
- Pausas obrigatórias de três minutos por tempo;
- Reservas e comissões em bancos climatizados;
- Ajuste de calendário, priorizando estádios fechados ou com refrigeração para jogos antes das 16h;
- Medições em tempo real do WBGT para acionar alertas operacionais.
Dos 40 jogos marcados para o turno da tarde, 29 ocorrerão em arenas com teto retrátil ou ar-condicionado (Mercedes-Benz Stadium, AT&T Stadium, NRG Stadium, SoFi Stadium e BC Place).
Raio-X das sedes mais críticas
Cidades com maior probabilidade de WBGT elevado (estimativa WWA):
- Miami (EUA): 1 chance em 8 de ultrapassar 26 °C WBGT na fase de grupos.
- Kansas City (EUA): risco semelhante a Miami, com ventilação natural limitada no Arrowhead Stadium.
- Nova Jersey (EUA): palco da final, pode atingir 28 °C WBGT em 19 de julho.
Já Dallas e Houston contam com sistemas de refrigeração capazes de reduzir a sensação térmica em até 7 °C, segundo dados internos dos estádios.
Imagem: IMAGO
O que pode mudar até o apito inicial
A FIFA sinaliza abrir discussão com a FIFPRO e confederações ainda em 2026 para:
- Testar pausas de seis minutos nos torneios de base e na Copa do Mundo Feminina Sub-20 (2026).
- Ampliar o uso de sensores de temperatura cutânea nos coletes de rastreamento dos atletas.
- Revisar horários das oitavas em diante, caso projeções climáticas confirmem picos acima de 30 °C.
Impacto futuro para jogadores, torcedores e calendário
Se confirmadas as mudanças sugeridas pelos cientistas, a preparação física das seleções precisará incluir aclimatação específica e estratégias de heat acclimation com três a quatro semanas de antecedência. Já para o público, a possibilidade de jogos adiados ou iniciados mais tarde pode mexer na logística de ingressos e transmissão global.
Em resumo, a discussão sobre o calor não é apenas médica, mas também tática: ritmo de jogo, número de substituições utilizadas e até escolha de esquemas que exijam menor volume de pressão podem se tornar diferenciais competitivos na Copa do Mundo 2026.
Próximo passo: a FIFA deve publicar um update dos protocolos no segundo semestre de 2026. Caso incorpore as exigências da WWA, torcedores e seleções terão um cenário mais claro até o sorteio dos grupos, previsto para dezembro.
Com informações de Trivela