‘Somos a seleção mais oprimida da Copa do Mundo’: Irã expõe falta de isonomia da Fifa

Anúncios

Inglewood (EUA), 15/06/2026 – A seleção do Irã deixou o SoFi Stadium apenas duas horas depois de empatar em 2 a 2 com a Nova Zelândia pela estreia do Grupo G e foi conduzida de volta a Tijuana, no México, por exigência diplomática. Sem vistos para 11 membros da delegação e autorizada a entrar em solo norte-americano somente na véspera do jogo, a equipe de Amir Ghalenoei acusa a Fifa de falta de isonomia e se declara “a seleção mais oprimida da Copa do Mundo”.

Por que o Irã fala em falta de isonomia

A escalada militar entre Estados Unidos, Israel e Irã – iniciada em fevereiro – levou Washington a endurecer restrições de entrada para cidadãos iranianos. O resultado foi uma série de vistos negados que afastou dirigentes, auxiliares responsáveis por análise em tempo real e parte da imprensa do país. Além disso, o cronograma original previa dois dias de aclimatação em Los Angeles; a liberação só saiu na tarde de domingo (14), centrando preparação e jogo num intervalo inferior a 30 horas.

Anúncios

Impacto logístico: do Arizona a Tijuana, ida e volta forçada

Anúncios

Antes do conflito, o Irã faria base em Tucson, Arizona. A falta de garantias de segurança levou a federação a fixar o centro de treinos em Tijuana (México). O trajeto Tijuana–Los Angeles tem cerca de 225 km e exige, em média, quatro horas de deslocamento terrestre mais trâmites fronteiriços. Na madrugada pós-jogo, o plantel fez o percurso inverso para um voo fretado de retorno, sem realizar sequer a sessão de recuperação física normalmente obrigatória em calendário de Copa.

Raio-X do Irã na Copa 2026

  • Estreia: 2 x 2 contra a Nova Zelândia (gols de Mehdi Taremi e Mohammad Mohebbi)
  • Grupo G: Irã e Nova Zelândia – 1 ponto; as outras duas seleções ainda não jogaram
  • Eliminatórias asiáticas: 8 vitórias, 1 empate, 1 derrota; 15 gols pró, 4 contra (dados oficiais da Fifa)
  • Principais nomes: Mehdi Taremi (centroavante, 36 gols pela seleção), Sardar Azmoun (atacante de mobilidade) e Alireza Beiranvand (goleiro recordista de defesas em mundiais)

O que a Fifa pode (ou não) fazer

Gianni Infantino visitou o vestiário iraniano e reconheceu as dificuldades, mas a Fifa alega inviabilidade de alterar sedes de partidas às vésperas do torneio. Na prática, mudanças de cidade implicariam remodelar logística de ingressos, segurança, transmissão e contratos de hospitalidade – um processo que, segundo o caderno de encargos da Copa, exige 60 dias de antecedência.

Consequências esportivas imediatas

Sem tempo adequado de regeneração, a comissão técnica calcula aumento de risco de lesões musculares em até 30 % para atletas submetidos a viagens noturnas e troca de fuso. Taticamente, a falta de suporte de analistas – barrados na fronteira – limita o ajuste em tempo real que Ghalenoei costuma fazer no 4-3-3, principalmente nas substituições de meio-campo que equilibram pressão alta e bloco médio.

Próximos desdobramentos

O Irã volta a campo em 20/06 contra o terceiro adversário do grupo, novamente em território norte-americano. Caso não obtenha vistos emergenciais, a delegação repetirá o “bate-e-volta” entre Tijuana e a cidade-sede, potencializando desgaste. A decisão da Casa Branca sobre flexibilizar a entrada de estafe esportivo – já solicitada pela Fifa – deve sair até 48 horas antes da segunda rodada. Enquanto isso, a queixa iraniana pressiona a entidade a buscar soluções em tempo recorde para evitar que questões geopolíticas determinem o desempenho dentro de campo.

Em síntese, o empate com a Nova Zelândia foi apenas o primeiro capítulo de um mundial que, para o Irã, começa fora das quatro linhas. As próximas 72 horas serão decisivas para saber se a seleção persa conseguirá competir em igualdade física e mental ou se o fator extra-campo continuará ditando o rumo de sua campanha.

Com informações de Trivela

Anúncios

Artigos relacionados

Anúncio spot_img

Artigos recentes