Doha (09/07/2026) – A seleção da Espanha chegou às quartas de final da Copa do Mundo invicta e sem ser vazada, somando 609 minutos de solidez defensiva — um novo recorde do torneio —, enquanto o atacante Lamine Yamal, de 18 anos, soma apenas um gol e nenhuma assistência em cinco partidas.
O protagonismo inverteu-se: defesa assume o holofote
Antes do Mundial, a discussão girava em torno da capacidade de Lamine Yamal repetir pelo país as atuações explosivas vistas no Barcelona. A lesão sofrida no fim da temporada criou dúvidas, mas o camisa 11 foi liberado. Ainda assim, o rendimento ofensivo tem oscilado: pouca influência contra Portugal nas oitavas e números discretos para quem costuma decidir em espaço curto.
Em contrapartida, o sistema montado por Luis de la Fuente transformou o setor mais criticado — a defesa — no fiador da campanha. A última vez que a “La Roja” sofreu um gol foi em amistoso preparatório, há mais de um mês.
Recorde histórico de Unai Simón
O goleiro do Athletic Bilbao superou os 517 minutos de Walter Zenga (1990) e fixou a nova marca em 609 minutos sem sofrer gol em Copas. A sequência inclui vitórias sobre Cabo Verde, Arábia Saudita, Uruguai, Áustria e Portugal. Nem mesmo a boa temporada de David Raya no Arsenal foi suficiente para desbancar Simón da meta.
Raio-X da muralha espanhola
Back-four titular: Pedro Porro (LD), Pau Cubarsí (Z), Aymeric Laporte (Z), Marc Cucurella (LE).
- Pau Cubarsí, 19 anos – 86% de duelos ganhos no torneio; evolução notável em relação à temporada oscilante pelo Barça.
- Aymeric Laporte – liderança na saída de três e 92% de passes completos, foco na transição curta.
- Laterais ofensivos – Porro e Cucurella somam juntos 34 recuperações de posse, mas também 18 participações em criação de jogadas, mostrando equilíbrio entre profundidade e recomposição.
- Rodri – média de 8,2 ações defensivas por jogo; é o “tampão” que libera os laterais sem expor a zaga.
Por que a estatística importa
Nenhuma campeã mundial passou o torneio ilesa defensivamente. As melhores marcas pertencem a França-1998, Itália-2006 e Espanha-2010, com dois gols sofridos cada. Se mantiver a consistência, a geração de 2026 entrará na história como a primeira a levantar a taça com a meta zerada.
Imagem: IMAGO
O papel de Yamal dentro do novo cenário
Mesmo sem números expressivos, Yamal continua a atrair vigilância dupla e abrir corredor para Nico Williams e Dani Olmo. A Espanha tenta explorar o 4-3-3 móvel: troca Yamal de flanco para confundir a marcação e cria superioridade numérica à esquerda, onde Cucurella apoia em linha de fundo.
Próximo desafio: Bélgica nas quartas
A Bélgica marcou em todas as partidas até aqui e possui força aérea com Romelu Lukaku, teste que a Espanha ainda não enfrentou. Caso avance, a semifinal projeta reencontro com a França, responsável por eliminar os espanhóis na Euro de 2024. Um sistema defensivo tão robusto pode reduzir a margem de erro contra adversários de ataque mais qualificado, mas exigirá melhora na eficácia ofensiva para evitar decisões por pênaltis.
Conclusão prospectiva: Se o bloco baixo segue impenetrável e Yamal encontra seu pico físico na reta final, a Espanha combina dois fatores raramente vistos na mesma equipe: talento geracional no ataque e coesão defensiva histórica. A trajetória rumo ao bi dependerá de manter o equilíbrio entre essas duas forças nas próximas duas semanas de Copa.
Com informações de Trivela