Doha (9.jul.2026) – Ao vencer o Marrocos por 2 x 0 nesta quinta-feira, a França de Didier Deschamps garantiu sua terceira semifinal consecutiva de Copa do Mundo e manteve a impressão de invencibilidade: melhor ataque, apenas dois gols sofridos e quatro jogos sem ser vazada em seis partidas. Mas a troca de Theo Hernández por Lucas Digne na lateral esquerda reabriu o único flanco que adversários como Espanha ou Bélgica podem explorar nos próximos dias.
Por que a França parece “sem defeitos” até aqui
• Ataque mais produtivo – 13 gols, média de 2,17 por jogo.
• Líder em chances criadas – 17 grandes oportunidades segundo a Opta.
• Solidez defensiva – somente 0,33 gol sofrido por partida e 4 clean sheets.
• Pressão alta eficiente – 8 finalizações geradas por desarmes no terço final, convertendo dois gols.
O 4-2-3-1 que vira 4-4-2 sem a bola combina pressão coordenada na saída rival e transições letais ativadas por Mbappé. Até aqui, nenhum adversário superou a marca de 0,7 xG durante o mata-mata.
O elo mais vulnerável: a lateral esquerda de Lucas Digne
• Theo Hernández começou como titular, mas perdeu espaço após atuação insegura na estreia (3 x 1 sobre Senegal).
• Digne oferece mais disciplina defensiva, porém é fisicamente menos imponente que Jules Koundé no lado oposto.
• O setor reúne ainda Mbbapé (menos aplicado ao recompor) e Desiré Doué, outro atleta de vocação ofensiva – cenário que pode expor Digne a 1 x 1 frequentes.
Quem já tentou explorar o corredor direito contra os Bleus
Senegal – Jackson e Sarr desperdiçaram duas chances claras enquanto atacavam justamente a retaguarda de Digne. Mesmo assim, só fizeram seu gol nos acréscimos.
Suécia – Anthony Elanga acumulou 19 conduções rumo à área francesa, mas a equipe teve apenas 39 % da posse e somou 0,7 xG.
Paraguai e Marrocos – optaram por blocos baixos ou ataques mais por dentro, oferecendo pouco teste real ao lateral do Aston Villa.
Raio-X estatístico – França até as quartas
Ataque
Gols: 13 (1.º)
Finalizações totais: 84 (2.º)
Bolas na trave: 5 (1.º)
Defesa
Gols sofridos: 2 (1.º)
Clean sheets: 4 em 6 jogos
xG contra no mata-mata: 0,7 (SUE), 0,2 (PAR), 0,1 (MAR)
Imagem: Anthy Bibard
Espanha e Bélgica oferecem desafios diferentes
Espanha – Lamine Yamal desponta como driblador capaz de isolar Digne no mano a mano. Além disso, o 4-3-3 espanhol costuma monopolizar a bola (62 % de posse média), algo que a França ainda não enfrentou. Caso seja forçada a recuar em bloco médio ou baixo, a equipe de Deschamps pode abrir espaços entre linhas que Pedri e Gavi exploram com passes verticais.
Bélgica – lidera o torneio em pressões totais (41) e pressões que geram finalização (15), convertendo quatro gols dessa forma. Um duelo com blocos altos simultâneos pode expor a França a perdas de bola próximas à sua área, teste inédito para a dupla Tchouaméni–Rabiot.
Impacto futuro: roteiro tático para a reta final
Seja contra o toque espanhol ou a marcação belga, a resposta francesa envolverá proteger Digne sem retirar profundidade ofensiva de Mbappé. Ajustes como um 4-3-3 situacional – com Rabiot abaixando para formar linha de cinco – ou a entrada de um ponta mais combativo (Coman) podem aparecer. Caso Deschamps neutralize esse último ponto de interrogação, os Bleus consolidam a candidatura a um inédito tricampeonato seguido (1998-2018-2026). Caso contrário, o caminho para erguer a taça pode passar exatamente pelos metros quadrados que se abrem às costas de Lucas Digne.
Com informações de Trivela