Marrocos voltou a encontrar a França em uma Copa do Mundo e, novamente, saiu eliminado: nesta quinta-feira, 9 de julho de 2026, em Boston, os Leões do Atlas perderam por 2 a 0 nas quartas de final, num jogo em que demoraram 83 minutos para acertar a primeira finalização no alvo.
Como a França neutralizou o plano defensivo marroquino
O técnico Mohamed Ouahbi repetiu a organização compacta que marcou a campanha de 2022, bloqueando linhas de passe por uma hora de partida. Porém, cada tentativa de sair para o ataque abriu espaço para transições francesas – origem do pênalti de Noussair Mazraoui (defendido por Yassine Bounou) e dos dois gols no segundo tempo. A equipe optou por minimizar danos, mas não conseguiu criar volume ofensivo suficiente para ameaçar a atual vice-campeã mundial.
Raio-X estatístico da eliminação
- 0,22 xG (gols esperados) – menor marca de Marrocos no torneio.
- 8 toques na área francesa em 90 minutos.
- 62,6 % dos passes trocados no próprio campo, sinal de circulação conservadora.
- Primeiro chute no alvo apenas aos 83’, com Azzedine Ounahi.
- Ouahbi sofre a 1ª derrota em 11 jogos à frente da seleção.
Vulnerabilidade sem referência na área
A lesão de Ismaël Saibari e a decisão de iniciar Soufiane Rahimi no banco deixaram Marrocos sem um centroavante de ofício. Quatro jogadores – Talbi, El Khannous, Ounahi e Brahim Díaz – se revezaram como “falso 9”, reduzindo a profundidade e a presença física na área. O próprio Ouahbi apontou a falta de profundidade de elenco como gargalo estrutural que precisa ser sanado antes dos próximos grandes torneios.
Impacto nos próximos ciclos: CAN 2027 e Mundial 2030
A eliminação expõe prioridades imediatas para a federação:
Imagem: Xinhua
- Reforçar o setor ofensivo com ao menos uma referência aérea e outro atacante de mobilidade.
- Expandir a base de 23-25 atletas aptos a competir no mais alto nível, reduzindo a dependência de titulares específicos.
- Manter a solidez defensiva como pilar, mas equilibrar a equipe com transição ofensiva mais agressiva, característica que marcou a campanha histórica de 2022.
Com a Copa das Nações Africanas de 2027 a apenas 12 meses e a Copa do Mundo de 2030 co-organizada em casa, Marrocos terá de transformar os números desta eliminação em lições concretas de mercado e treinamento. A permanência de Ouahbi oferece continuidade tática; resta saber se o elenco crescerá em quantidade e qualidade para que, no próximo encontro com gigantes europeus, o time jogue sem “freio de mão” e com reais condições de decidir.
Com informações de Trivela