Semifinalistas com sofrimento: Lionel Scaloni reconheceu na madrugada de sábado (12), em Nova Jersey, que as vitórias da Argentina no mata-mata da Copa do Mundo de 2026 – a última delas por 3 x 1 sobre a Suíça, na prorrogação – têm mascarado atuações abaixo do ideal, mas o próprio treinador mantém a base que vem rendendo pouco fisicamente.
Por que a fala de Scaloni chama a atenção
No pós-jogo, Scaloni foi direto: “Precisamos ser realistas. A vitória pode esconder detalhes”. O técnico valoriza a autocrítica, porém segue apostando nos mesmos jogadores que já demonstraram desgaste nas fases anteriores contra Cabo Verde e Egito. A contradição surge porque, em 2022, o comandante se notabilizou justamente por mexer sem medo quando o rendimento caía.
O desenho tático que cobra pedágio físico
A Albiceleste atua com linhas curtas, posse de bola curta e muitos atletas por dentro para potencializar Lionel Messi. Com a bola, a lógica funciona; sem ela, o preço é alto:
- Maca de minutos: Enzo Fernández, Rodrigo De Paul e Alexis Mac Allister percorrem grandes distâncias para compensar a menor intensidade defensiva de Messi.
- Baixo frescor: Lautaro Martínez e Julián Álvarez, titulares que já estiveram na rotação em 2022, não vivem seu melhor momento técnico.
- Paredes exceção: Leandro Paredes e Nicolas Tagliafico entraram bem, mas foram as únicas trocas estruturais desde a fase de grupos.
Raio-X da campanha argentina até aqui
- 5 jogos, 5 vitórias – todas as partidas eliminatórias decididas por um gol de diferença no tempo regulamentar ou apenas na prorrogação.
- Gols marcados: 10 (média 2,0 por jogo).
- Gols sofridos: 5 (média 1,0).
- Substituições ofensivas: 3 atacantes acionados nos 30 min finais contra a Suíça, mesmo com o meio-campo perdendo força.
- Rotatividade: só 2 mudanças no XI inicial desde o início do mata-mata; em 2022 foram 7 em 7 jogos.
O que muda para a semifinal contra a Inglaterra
Quarta-feira (15), em Atlanta, a Argentina enfrentará uma seleção inglesa que pressiona alto, acelera transições e chega aos jogos decisivos com saldo físico superior. Caso não mexa na espinha dorsal, Scaloni corre o risco de repetir os problemas de cobertura na intermediária defensiva, onde Enzo e De Paul já dão sinais de fadiga.
Alternativas como Giovani Lo Celso, Exequiel Palacios ou até Valentín Barco abririam a possibilidade de proteger mais as laterais e liberar Messi em zonas onde a pressão britânica não é tão agressiva. Além disso, manter Cristian Romero em 100% é crucial, já que o zagueiro sentiu desgaste e foi substituído por Otamendi contra a Suíça.
Imagem: IMAGO
Conclusão: paradoxo entre discurso e ação
Ao mesmo tempo em que Scaloni expõe as deficiências, ele reluta em abandonar nomes simbólicos de 2022. Esse conservadorismo pode custar caro diante de adversários fisicamente intensos como Inglaterra, França ou Espanha. Resta saber se o treinador voltará a versão ousada do título passado ou insistirá em pilares que, hoje, já não oferecem o mesmo retorno atlético.
Com informações de Trivela