Seleção brasileira: O desempenho de Ancelotti em seus segundos anos em clubes e o que isso indica

Rio de Janeiro (13/07/2026) — Carlo Ancelotti inicia seu segundo ano à frente da Seleção Brasileira em meio a questionamentos sobre o futuro após a eliminação para a Noruega nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026. O histórico do treinador em suas segundas temporadas por clubes europeus serve de termômetro para entender o que pode ocorrer no ciclo rumo ao Mundial de 2030.

Por que o segundo ano virou ponto de atenção na CBF?

A federação avalia que o primeiro ano foi marcado por adaptações: lesões de peças-chave, interrupções no calendário de seleções e oscilações entre o 4-3-3 tradicional e o 4-4-2 losango. Agora, espera-se continuidade tática e evolução de desempenho, algo que nem sempre ocorreu nos segundos anos de Ancelotti nos clubes.

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Raio-X: os segundos anos de Ancelotti

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Parma 1997/98 – queda de vice para 6º na Serie A, embora com ataque levemente melhor (1,6 gol/jogo).
Juventus 2000/01 – novo vice-campeonato italiano, defesa de elite (apenas 20 gols sofridos), mas ataque tímido (46 gols).
Milan 2002/03 – explosão ofensiva (102 gols em 62 jogos) e títulos da Champions e Coppa Itália.
Chelsea 2010/11 – vice na Premier League com 33 gols a menos que na temporada de estreia; eliminações precoces em copas.
PSG 2012/13 – domínio absoluto na Ligue 1: +12 pontos para o 2º colocado, melhor ataque e defesa.
Real Madrid 2014/15 – manteve melhor ataque de LaLiga (118 gols), mas sem troféus de peso, acabou demitido.
Bayern 2017/18 – saiu antes do segundo ano completo; início irregular pesou.
Napoli 2019/20 – série de nove jogos sem vitória e desgaste interno resultaram na demissão em dezembro.
Everton 2020/21 – evolução modesta (56% de aproveitamento), terminou apenas em 10º na Premier League.
Real Madrid 2022/23 – pequena queda (3% a menos de aproveitamento), vice em LaLiga, semifinal de Champions e título da Copa do Rei.

Padrões que se repetem

1) Ajuste fino no modelo de jogo: transições do 4-4-2 para losango no Milan, ou dos pontas híbridos no Chelsea para um 4-3-3 mais clássico, mostram que Ancelotti costuma refinar conceitos, nem sempre com ganhos imediatos.
2) Dependência de atletas-chave: nos casos de PSG (Ibrahimovic) e primeiro Real Madrid (Cristiano Ronaldo), o italiano potencializou astros e elevou números ofensivos; quando as peças não encaixaram, como Henry na Juventus ou o elenco curto do Everton, o rendimento caiu.
3) Cobrança por títulos decisivos: desempenho bom, mas sem troféu relevante, já custou seu cargo em Real (2015) e Napoli (2019).

Como isso se aplica à Seleção?

Estabilidade de elenco: a CBF planeja recuperar lesionados de 2026 e dar sequência a um onze base, algo que Ancelotti nem sempre teve em clubes ao entrar na segunda temporada.
Maturação do sistema híbrido: a ideia é consolidar o losango que favorece Vinicius Júnior e Rodrygo próximos de área, mantendo Casemiro como primeiro volante organizador — solução já testada em amistosos pós-Copa.
Calendário favorável: sem torneio continental em 2027, haverá mais janelas para treinos longos, cenário que historicamente beneficiou Ancelotti em PSG e Milan.

Impacto futuro: cenário até a Copa de 2030

Se repetir padrões de sucesso (PSG, Milan, 2ª passagem no Real), Ancelotti tende a apresentar salto de consistência estatística já na Copa América de 2028, primeira referência oficial do novo ciclo. Em contrapartida, a lição de Chelsea e Napoli indica que falta de taça ou queda precoce em mata-matas pode abreviar a passagem do italiano antes mesmo das Eliminatórias finais.

Conclusão: O segundo ano de Carlo Ancelotti costuma ser o ponto de virada — para a glória ou para a crise. A Seleção Brasileira entra justamente nessa encruzilhada. A forma como o treinador consolidar seu desenho tático, equilibrar protagonismo de seus principais atacantes e lidar com a pressão por títulos continentais definirá se o caminho até 2030 será de estabilidade ou de novo recomeço.

Com informações de Trivela

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