Estados Unidos, 15 de julho de 2026 – A Inglaterra de Thomas Tuchel vencia por 1 a 0 até os 10 minutos do segundo tempo da semifinal da Copa do Mundo, mas a decisão de abdicar da posse de bola permitiu a virada da Argentina por 2 a 1 e tirou os Três Leões da final.
O que mudou após o gol de Anthony Gordon
Com a vantagem no placar, Tuchel deslocou a equipe para um bloco baixo, reforçou a linha defensiva com mais zagueiros e praticamente abriu mão da circulação de bola. Segundo a Opta, a Inglaterra completou apenas 38 passes nos cerca de 60 minutos subsequentes, contra 266 da Argentina, que encerrou o duelo com 88% de posse nesse recorte.
Raio-X estatístico da semifinal
Passes no período pós-gol: Argentina 266 x 38 Inglaterra
Posse de bola (pós-gol): Argentina 88% x 12% Inglaterra
Finalizações totais: Argentina 16 (6 no alvo); Inglaterra 4 (1 no alvo)
Gols: Anthony Gordon 50’; Argentina 63’ e 79’ (assistências de Lionel Messi)
A lógica das convocações e a ruptura de conceito
Tuchel assumiu a seleção em novembro de 2024 sob a missão de potencializar o talento inglês com o Jogo de Posição – modelo que caracteriza sua carreira desde Mainz, Borussia Dortmund e Chelsea. Para isso, deixou de levar nomes de alto apelo, como Phil Foden e Trent Alexander-Arnold, priorizando atletas que entregassem volume físico e versatilidade defensiva.
Até o intervalo da semifinal, a estratégia parecia validada: laterais improvisados como Ezri Konsa fechavam o lado forte argentino, e o ponta Morgan Rodgers encontrava espaço às costas de Tagliafico para criar o gol de Gordon. A ruptura veio com a decisão de proteger o resultado exclusivamente em bloco baixo, contrariando o princípio de controle por meio da bola que sustentou o ciclo de 20 partidas sob seu comando.
Impacto imediato da eliminação
O revés interrompe uma campanha que poderia levar a Inglaterra à segunda final mundial consecutiva (a equipe fora vice em 2022). A Federação Inglesa terá de decidir se mantém Tuchel para a Liga das Nações 2027 e para o início das Eliminatórias da Euro 2028, competições cujo planejamento já previa continuidade do alemão.
Imagem: Internet
O que esperar para os próximos meses
Além da revisão tática, haverá pressão pública para a reintegração de jogadores não convocados. Dados da Premier League 2025/26 mostram que Phil Foden liderou a liga em passes chave por 90 minutos (3,4) e Jude Bellingham foi o meio-campista inglês com maior participação em gols (18). A reincorporação dessas peças tende a recolocar o tema “domínio da posse” no centro do debate, algo essencial se a Inglaterra quiser retomar a identidade que Thomas Tuchel prometeu entregar.
No curto prazo, portanto, a derrota expõe a necessidade de alinhar convicções e execução: manter a posse como mecanismo defensivo e ofensivo. Se conseguir traduzir a lição da semifinal em ajustes estruturais, a Inglaterra ainda possui elenco para brigar por títulos nos ciclos seguintes; caso contrário, a pressão por mudanças no comando técnico deve crescer antes mesmo do próximo torneio oficial.
Com informações de Trivela