Porto Alegre (21/07/2026) — A transferência de Gabriel Mec, 18 anos, do Grêmio para o Shakhtar Donetsk, que parecia encaminhada após oferta de €12 milhões (cerca de R$ 70 milhões), está paralisada. O estafe do meia solicitou um bônus de €1 milhão atrelado ao número de jogos, exigência que esfriou o negócio e levou o clube ucraniano a reavaliar outras opções no mercado brasileiro.
O impasse financeiro que brecou a operação
Salários, luvas e comissões já estavam alinhados: aproximadamente €800 mil por temporada para o atleta. Entretanto, a equipe de representantes de Gabriel Mec incluiu, na reta final, a cláusula de bonificação por metas de partidas. Dirigentes do Shakhtar consideraram a condição fora do padrão praticado pelo clube — que costuma atrelar gatilhos de desempenho apenas a conquistas coletivas — e congelaram a tratativa.
Por que o Shakhtar mira Gabriel Mec
Tradicional porta de entrada de brasileiros na Europa Oriental, o Shakhtar mantém atualmente nove atletas do país no elenco principal e já faturou acima de €300 milhões com vendas de jogadores formados no Brasil. O interesse em Mec se explica por três pontos:
- Perfil tático complementar: canhoto, atua como meia central ou externo, função que o técnico Marunets vê carente após a saída de Georgiy Sudakov para a Premier League.
- Idade e revenda: aos 18, encaixa-se no modelo de compra e desenvolvimento para futura negociação — média de permanência de jovens brasileiros no Shakhtar é de 2,8 temporadas.
- Custo-benefício: mesmo com o bônus pedido, a operação total se mantém abaixo dos €15 milhões, patamar que o Shakhtar historicamente aceita investir em promessas sul-americanas.
Raio-X da proposta
- Valor fixo ao Grêmio: €12 milhões (≈ R$ 70 mi)
- Bônus solicitado: €1 milhão após metas de partidas
- Salário projetado de Mec: €800 mil/ano (≈ R$ 4,7 mi)
- Percentual de revenda: mantido em 10% para o Grêmio, cláusula já aceita pelo Shakhtar
- Tempo de contrato: 5 temporadas (2026-2031)
O que muda para o Grêmio se a venda sair
O valor de €12 milhões representaria cerca de 25% da previsão de receitas de transferências no orçamento gremista para 2026. Além de aliviar o caixa no curto prazo, a saída de Mec abriria espaço na folha salarial e aceleraria o plano de utilizar João Victor, 19, como primeiro reserva da posição. Caso a negociação não avance, Luís Castro ganha uma alternativa criativa para a sequência do Brasileirão e da Copa Sul-Americana, competições em que a equipe sofre para criar — média de 1,1 gol por jogo nas últimas dez partidas.
Próximos passos
Shakhtar e estafe do jogador devem retomar conversas até o fim da semana. Caso o bônus seja flexibilizado ou diluído em metas coletivas (classificação às oitavas da Champions League, por exemplo), a transação pode ser oficializada ainda na janela de verão europeu, que se encerra em 31 de agosto. Enquanto isso, o Grêmio monitora à distância: sem poder intervir nos termos individuais, resta ao clube torcer por um acordo que injete recursos significativos e mantenha o planejamento financeiro de 2026 intacto.
Imagem: Lucas Uebel
Em síntese, o desfecho da negociação definirá não apenas o futuro imediato de Gabriel Mec, mas também o fôlego de caixa do Grêmio e a estratégia de mercado do Shakhtar para seguir apostando em talento brasileiro. A próxima semana deve ser decisiva.
Com informações de Portal do Gremista