Madri, 23 de julho de 2026 – A seleção espanhola concluiu o ciclo 2022-2026 com um currículo que já a coloca entre as maiores da história: título invicto da Euro 2024, conquista da Liga das Nações 2022-23, vice em 2024-25 e, acima de tudo, o bicampeonato mundial alcançado nos Estados Unidos com a melhor defesa já registrada em Copas (apenas 1 gol sofrido em 8 jogos). O trabalho capitaneado por Luis de la Fuente recolocou a Roja no topo 16 anos depois do primeiro mundial e a transformou na tetra campeã europeia – recorde isolado.
Da reconstrução à consagração: por que o plano funcionou
Depois das eliminações precoces em 2014, 2016, 2018 e 2022, a RFEF apostou na promoção de De la Fuente, técnico que havia dirigido quase toda a geração olímpica vice-campeã em Tóquio-2020. A base montada desde as seleções sub-19 (campeã em 2015) manteve o DNA de posse, mas adicionou profundidade pelos flancos e transições mais rápidas – algo que faltou no final da “era tiki-taka”.
O novo modelo de jogo
Esquemas mais usados: 4-3-2-1 e 4-3-3, com laterais agressivos (Pedro Porro e Cucurella), meio-campo de tripé (Rodri, Dani Olmo e Fabián Ruiz) e pontas incisivos (Nico Williams e Lamine Yamal). A circulação curta gerava volume; a aceleração pelo corredor transformava posse em finalização. Como efeito colateral, o adversário recebia menos bolas em campo espanhol, alicerçando a marca histórica da defesa.
Raio-X dos títulos
- UEFA Nations League 2022-23: campeão nos pênaltis sobre a Croácia (0-0, 5-4). Unai Simón defendeu duas cobranças.
- Euro 2024 (Alemanha): 7 jogos, 7 vitórias, 15-4 em gols; prêmios de Melhor Jogador (Rodri) e Jogador Jovem (Yamal).
- Copa 2026 (EUA, Canadá, México): 7V-1E-0D; ataque 14 gols e apenas 1 sofrido. Clean sheet de 609 minutos de Unai Simón, novo recorde mundial.
A muralha de 2026 em números
Minutos sem sofrer gol: 609 (Superou Walter Zenga/1990 – 517)
Finalizações cedidas por jogo: 4,8
Desarmes certos por jogo: 18,2
Bloqueios dentro da área: 39 no total (média 4,9)
Papel de cada pilar
Rodri – Índice de passes certos: 94% na Euro e 93% na Copa; eleito Bola de Ouro do Mundial.
Lamine Yamal – Estreou na Euro aos 16 anos; recorde de jogador mais jovem a marcar em mata-mata europeu (gol contra a França).
Unai Simón – Líbero avançado, 23 interceptações fora da área na Copa.
Cubarsí – Melhor Jogador Jovem da Copa; 89% de duelos aéreos ganhos.
Nico Williams – 7 participações diretas em gols nas fases decisivas (Euro + Copa).
Imagem: Reuters.
Impacto futuro: ciclo 2026-2030
Aos 25 anos, Yamal e Cubarsí chegarão ao Mundial de 2030 no auge fisiológico; Rodri, com 30, mantém liderança técnica. A dúvida recai sobre o comando ofensivo: com Oyarzabal e Ferran Torres acima dos 30 em 2030, a federação já monitora Víctor Muñoz (Osasuna) para a função de 9 móvel. Nos bastidores, De la Fuente renovou até 2028 e mira a Nations League 2026-27 como laboratório para oxigenar o elenco sem perder competitividade.
Conclusão: o ciclo 2022-2026 reforça que a Espanha encontrou equilíbrio entre posse e verticalidade, sustentado por uma geração que cresceu sob a mesma metodologia tática. Se mantiver o tripé controle–profundidade–pressão pós-perda, a Roja iniciará 2030 como candidata real ao inédito bicampeonato consecutivo de Copas – algo que nenhuma seleção europeia alcança desde 1938.
Com informações de Imortais do Futebol