Manchester (24/07/2026) – O Manchester City apresentou nesta sexta-feira Enzo Maresca como novo treinador, um mês após a saída de Pep Guardiola. Ex-Chelsea e antigo assistente dos Citizens, o italiano declarou que vê “um privilégio” suceder o espanhol e prometeu dar sequência ao estilo que transformou o clube na última década.
Por que o City escolheu Enzo Maresca?
Maresca, 46 anos, conhece profundamente a infraestrutura de City Football Group. Entre 2020 e 2021 liderou a equipe sub-23, voltou em 2023 para integrar a comissão de Guardiola na temporada da tríplice coroa (Premier League, Champions League e FA Cup 2023/24) e, em 2025/26, comandou o Chelsea. Mesmo após uma passagem turbulenta em Stamford Bridge, continuou bem avaliado internamente pela capacidade de replicar conceitos de posse, pressão alta e jogo posicional adotados por Guardiola.
Segundo o diretor de futebol Txiki Begiristain, o clube buscava “continuidade metodológica” e alguém que já dominasse os processos do City Football Academy. A escolha reflete a política do clube de ter apenas três técnicos em 17 anos – Roberto Mancini, Manuel Pellegrini e Guardiola – evitando rupturas bruscas.
Desafio histórico: substituir longas dinastias na Inglaterra
Maresca citou os casos de David Moyes após Sir Alex Ferguson e Unai Emery após Arsène Wenger como alertas. Esses exemplos revelam a dificuldade de sustentar performances imediatamente depois de ciclos de longa duração. A permanência de Guardiola por uma década gerou padrões táticos, culturais e de recrutamento que agora precisam ser mantidos sem o principal arquiteto.
Raio-X de Guardiola (2016-2026)
- 6 títulos da Premier League
- 2 Copas da Inglaterra
- 4 Copas da Liga
- 1 Champions League
- Taxa de vitórias: 73 % em 629 partidas oficiais
- Média de 2,4 gols marcados e 0,8 sofridos por jogo
Esses números elevam a régua para o sucessor. Desde 2017/18, o City nunca ficou abaixo dos 85 pontos na liga e registrou, em média, posse de bola superior a 63 % por temporada.
Onde Maresca pode mexer: mapa tático para 2026/27
• <strong defesa: o setor sofreu 33 gols na Premier League 2025/26, melhor marca da competição, mas conta com laterais de mais de 30 anos. A tendência é ampliar a rotação com atletas formados na base, como Rico Lewis, e zagueiros que atuem como volantes na saída de três.
• <strong meio-campo: a saída de Kevin De Bruyne para a MLS abriu espaço para Phil Foden e para contratações que mantenham a criatividade entrelinhas. Maresca trabalhou com o belga Cole Palmer no Chelsea e conhece bem sua formação: uma possível peça de retorno.
Imagem: IMAGO
• <strong ataque: Erling Haaland segue como referência. A prioridade é preservar a densidade de ações próximas da área (Haaland finalizou 4,6 vezes por jogo em 2025/26) enquanto rejuvenesce os extremos.
Impacto para a temporada 2026/27
O City inicia a Premier League em três semanas contra o Wolverhampton. A manutenção da estrutura tática deve reduzir o tempo de adaptação, porém os precedentes mostram que a transição de liderança costuma impactar os primeiros 10-15 jogos. Com Liverpool e Arsenal reforçados, qualquer oscilação inicial pode custar o topo da tabela. Nos bastidores, a diretoria mantém a meta de, no mínimo, semifinal de Champions – torneio em que o clube alcançou a decisão em quatro das últimas seis edições.
Conclusão prospectiva: Maresca assume o City com a missão de preservar números de elite enquanto injeta juventude no elenco. Se conseguir executar ajustes sem abdicar dos princípios de posse e pressão, o clube pode prolongar um ciclo inédito de supremacia doméstica e manter o status de potência europeia. As primeiras semanas de trabalho, do Tour nos EUA à Community Shield, indicarão o quão suave será a sucessão.
Com informações de Trivela