Em 31 de agosto de 2017, no último dia da janela de transferências europeia, o Manchester City de Pep Guardiola viu ruir o acordo em cadeia que envolveria a chegada de Alexis Sánchez, a saída de Thomas Lemar do Monaco para o Arsenal por £ 92 milhões e, por consequência, uma reformulação ofensiva que poderia ter alterado o curso do clube nas temporadas seguintes.
Por que Guardiola precisava de um novo atacante em 2017
Após terminar a Premier League 2016/17 15 pontos atrás do campeão Chelsea, o City identificou dois pontos frágeis: a linha defensiva envelhecida (já endereçada com Walker, Mendy e Danilo) e a eficiência na frente do gol. Guardiola via em Sánchez um finalizador versátil, capaz de atuar por dentro ou pelos lados, algo que o técnico ainda não enxergava plenamente em Raheem Sterling na época.
O quebra-cabeça da janela: como Lemar entrou na história
O Arsenal só liberaria Sánchez se contratasse um substituto de impacto. O escolhido foi Lemar, peça-chave do Monaco campeão francês que já havia vendido Bernardo Silva, Benjamin Mendy e outros talentos. O City concordou em pagar cerca de £ 60 milhões por Sánchez; os Gunners, por sua vez, aceitaram investir £ 92 milhões em Lemar. Tudo parecia alinhado até que o próprio francês recusou o Emirates, esperando um futuro acerto com o Liverpool. Sem tempo para nova negociação, o dominó caiu.
Raio-X estatístico do negócio que não aconteceu
- Thomas Lemar (2016/17 – Monaco): 55 jogos, 14 gols, 17 assistências, 2,6 passes-chave por jogo (Ligue 1 + UCL).
- Alexis Sánchez (2016/17 – Arsenal): 51 jogos, 30 gols, 19 assistências, participação direta em 49% dos gols dos Gunners na Premier League.
- Raheem Sterling (2016/17 – Manchester City): 47 jogos, 10 gols, 9 assistências; índice de conversão de 11% no Inglês.
- Investimento do City na janela 2017: ~£ 213 milhões (Walker, Mendy, Bernardo, Ederson, Danilo, Douglas Luiz).
Consequências imediatas e o “efeito borboleta” em campo
Sem a chegada de Sánchez, Sterling manteve espaço e respondeu com seu melhor ano: 23 gols e 17 assistências em 2017/18, temporada que culminou em recorde de 100 pontos na Premier League. Guardiola consolidou um trio móvel com Sterling, Sané e Agüero — fator determinante para a dominância ofensiva de 106 gols naquela liga.
Já Sánchez acabaria no Manchester United em janeiro de 2018, sem repetir o nível do Arsenal. Lemar só trocaria o Monaco pelo Atlético de Madrid na temporada 2018/19.
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Impacto projetado: lições para futuras janelas
A falha da operação ilustra a importância do timing e da vontade do jogador em transações complexas. Para o City, a experiência reforçou a estratégia de contratar alvos principais antes do prazo final — vide as chegadas precoces de Erling Haaland (jun/2022) e Josko Gvardiol (ago/2023). Já para clubes que dependem de vendas em cadeia, a saga serve de alerta sobre o risco de centrar um plano em uma única peça relutante.
No horizonte de 2024/25, o City monitora o mercado visando um sucessor a longo prazo para De Bruyne e possíveis ajustes na ponta esquerda. A lembrança de 2017 permanece: alinhar interesses de todas as partes e garantir o “sim” do atleta são etapas tão críticas quanto acertar o valor do cheque.
Com informações de Manchester Evening News