Belo Horizonte, 28/09 – Durante o programa SporTV News, o comentarista Ricardo Gonzalez analisou o momento do atacante Hulk, de 39 anos, que completou 10 partidas sem marcar ou participar diretamente de gols pelo Atlético-MG. Para o jornalista, a queda de rendimento indica que a idade começa a pesar e obriga a comissão técnica de Jorge Sampaoli a repensar a minutagem do ídolo alvinegro.
Por que o desempenho de Hulk virou tema de debate
Hulk chegou ao Atlético em 2021 e rapidamente se tornou referência ofensiva. No entanto, a atual sequência negativa contrasta com o histórico de protagonismo do camisa 7. Gonzalez elogiou a decisão de Sampaoli de utilizá-lo apenas no segundo tempo contra o Bolívar, em La Paz, pelas quartas da Copa Sul-Americana, argumentando que partidas em altitude e calendário “quarta-domingo” expõem limitações físicas do veterano.
Raio-X da temporada 2024 de Hulk
- Jogos disputados: 44
- Gols: 16
- Assistências: 4
- Participações diretas em gol: 20 (média de 0,45 por partida)
- Aproveitamento no Campeonato Mineiro: 7 gols em 8 jogos (0,87 por partida)
- Jejum atual: 10 partidas sem gol ou assistência em competições nacionais e internacionais
Os números mostram que a produção caiu drasticamente fora do Estadual, onde o nível de exigência física costuma ser menor. O dado fortalece o argumento de que a gestão de carga pode ser decisiva para prolongar o impacto de Hulk nos jogos mais competitivos.
Gestão de minutos: lições de outros veteranos
O exemplo citado por Gonzalez foi Arrascaeta, no Flamengo, que raramente atua 90 minutos em sequência. Clubes europeus fazem o mesmo com atacantes acima dos 35 anos – casos de Giroud (Milan) e Modrić (Real Madrid), preservando-os em partidas de menor peso ou substituindo-os cedo. Para o Atlético, controlar minutagem pode:
- Reduzir risco de lesões musculares, comuns em atletas que dependem de explosão.
- Manter a força de arranque de Hulk para fases decisivas da Sul-Americana e duelos diretos no Brasileirão.
- Abrir espaço para testes com jovens como Cadu ou Paulinho centralizado, diversificando o repertório ofensivo.
Calendário apertado amplia necessidade de rodízio
Até a próxima Data-FIFA, o Atlético encara Juventude (Brasileirão), Bolívar (volta da Sul-Americana) e o clássico contra o Cruzeiro. Somando viagens e diferença de altitude, Hulk teria, em apenas nove dias, cerca de 270 minutos em campo se escalado como titular absoluto – cenário que ele não vivenciava nem em 2023, quando a média de minutos já havia caído 12% em relação a 2022.
Imagem: mais que ele seja um cara fisicamente pr
O que vem a seguir para o Atlético
Com premiações que já ultrapassam R$ 20 milhões na Sul-Americana, a projeção financeira reforça a necessidade de ter Hulk em condições ideais nas semifinais do torneio. Gerenciar o ídolo agora pode ser a diferença entre disputar um título continental ou encerrar a temporada sem taça. Sampaoli, portanto, tende a adotar estratégia semelhante à usada no Mineiro: minutagem controlada, mas procurando momentos-chave em que o camisa 7 possa decidir.
Se o plano de rodízio vingar, o Atlético ganha fôlego para a reta final de 2024 e Hulk aumenta suas chances de chegar a 2026 – ano em que já admitiu cogitar encerrar o ciclo no clube – ainda decisivo. Nas próximas rodadas, a utilização do atacante será termômetro para medir o quão rápido a comissão técnica absorveu o alerta levantado por Ricardo Gonzalez.
Com informações de Fala Galo