Belo Horizonte (MG) – Os atacantes do Atlético-MG não marcam há 1.332 minutos, sequência iniciada em 14 de agosto, na vitória sobre o Godoy Cruz (1 x 0) pelas oitavas da Copa Sul-Americana. Desde então, o clube disputou 13 partidas e só balançou as redes com meias, laterais ou zagueiros, cenário que pressiona a comissão técnica na fase decisiva da temporada.
Como a seca começou e se prolongou
A última participação direta de um atacante em gol ocorreu com Hulk, autor do tento diante do Godoy Cruz na Argentina. Na volta, quem marcou foi o lateral Natanael. Em seguida, o Galo passou em branco contra Cruzeiro (Copa do Brasil, ida e volta) e São Paulo (Brasileirão). A série negativa prosseguiu contra Vitória, Botafogo e Juventude, entre outros, mesmo com alterações de esquema promovidas por Cuca e, depois, Jorge Sampaoli.
Raio-X da crise ofensiva
Dados do Sofascore nos 13 jogos sem gol de atacante
- Finalizações totais: 96
- Finalizações no alvo: 25 (26%)
- Média de xG* por partida: 0,83 (*expectativa de gol, levantamento público)
- Jogadores de frente utilizados: 9 (Hulk, Dudu, Júnior Santos, Rony, Tomás Cuello, João Marcelo, Cadu, Issac Tomich e Biel)
- Gols marcados pelo time: 8 – todos de meias, defensores ou bolas desviadas
O aproveitamento de finalizações certas (26%) está abaixo da média do Brasileirão 2024, que é de 36%, segundo estatísticas de campeonato disponíveis publicamente. Ao mesmo tempo, o xG indica que o Atlético deveria ter marcado pelo menos 10 gols no período, reforçando que a questão é de precisão, não de criação.
Impacto na tabela e nos torneios
No Brasileirão, a série negativa coincidiu com queda de rendimento: o Galo somou 12 de 39 pontos possíveis nesse recorte, saiu do pelotão do G-4 e hoje luta para seguir na zona de classificação à Libertadores. Já na Copa Sul-Americana, mesmo avançando até a semifinal, as partidas tornaram-se mais apertadas – quatro das últimas cinco terminaram com placar mínimo de um gol.
O que Cuca e Sampaoli já testaram
Durante a sequência, as comissões técnicas variaram entre 4-3-3, 4-2-3-1 e até 3-4-3. Hulk foi mantido como referência na maioria dos jogos, mas chegou a ser deslocado para flutuar atrás dos pontas, com Júnior Santos centralizado. Dudu foi testado para dar profundidade pelo lado direito, enquanto Tomás Cuello ganhou minutos para trabalhar invertido pela esquerda, buscando diagonais. Nenhuma formação, contudo, conseguiu quebrar a série sem gols do setor.
Imagem: Internet
Perspectiva para os próximos compromissos
O Atlético-MG volta a campo no fim de semana contra o Red Bull Bragantino, adversário direto por vaga continental. Na sequência, encara o jogo de ida da semifinal da Copa Sul-Americana, ainda sem adversário definido no momento desta publicação, e depois enfrenta o Fortaleza pelo Brasileirão. A tendência é que Sampaoli mantenha o trio ofensivo com Hulk, Júnior Santos e Cuello, mas fontes internas indicam a possibilidade de promover o jovem Biel para aumentar a agressividade na pressão pós-perda.
Conclusão prospectiva: quebrar a seca nos próximos dois jogos é vital para evitar que a desconfiança se torne um problema psicológico em fase decisiva de mata-mata internacional. Se o ataque voltar a produzir, o Galo ganha fôlego para brigar por títulos e por vaga direta na Libertadores; se a aridez permanecer, a estratégia de Sampaoli terá de ser revista com urgência, possivelmente abrindo espaço para alterações mais profundas no desenho tático.
Com informações de FalaGalo