Porto Alegre (09/10/2025) — Em entrevista ao BandSports, o presidente Alberto Guerra confirmou que o Grêmio ainda não recebeu parcelas das vendas de Ferreirinha ao São Paulo e de Nathan Fernandes ao Botafogo, negociadas no início da temporada 2024 com pagamentos escalonados.
Por que os valores ainda não chegaram?
Nos dois casos, o modelo de negócio previa pagamento parcelado — prática comum na Série A para diluir custos em mais de um exercício fiscal. Entretanto, atrasos começaram a aparecer nas últimas datas de vencimento, o que acionou o alerta da diretoria gremista.
Raio-X das negociações
Ferreirinha → São Paulo
• Transferência fechada em janeiro/2024.
• Valor total divulgado na imprensa: aproximadamente R$ 14 milhões.
• Cronograma: entrada + duas parcelas semestrais.
• Situação atual: última parcela, prevista para este semestre, ainda não creditada.
Nathan Fernandes → Botafogo
• Venda alinhada em julho/2024.
• Valor potencial: até R$ 18 milhões, incluindo bônus por metas de minutos em campo e conquistas coletivas.
• Cronograma: três parcelas fixas + gatilhos de desempenho.
• Situação atual: segunda parcela em aberto; bônus ainda dentro do prazo contratual.
Impacto imediato no caixa tricolor
Mesmo sem risco de insolvência, o atraso afeta o fluxo de caixa. O Grêmio contava com esses recursos para amortizar dívidas de curto prazo e reforçar investimentos em infraestrutura do CT Presidente Luiz Carvalho. O clube estuda antecipar recebíveis via instituições financeiras — prática que ganhou fôlego desde a implementação do Fair Play Financeiro da CBF em 2023.
Tendência de mercado: mais parcelamento, mais cobrança
Entre 2021 e 2024, 61 % das transferências internas no Brasil envolveram pelo menos uma parcela futura, segundo dados do TransferLab. Com a taxa básica de juros em queda, clubes optam por pagar em prestações, mas o risco de inadimplência também cresce. A postura do Grêmio sinaliza movimento de maior rigidez contratual para 2026.
Imagem: César Greco
Como São Paulo e Botafogo se posicionam
Até o fechamento deste texto, nenhum dos dois clubes emitiu nota oficial. Bastidores indicam que os departamentos financeiros trabalham para regularizar os compromissos antes da virada do trimestre, evitando multas e juros previstos em contrato.
Próximos passos
O Grêmio mantém diálogo direto com as diretorias de São Paulo e Botafogo e não descarta acionar a CNRD (Câmara Nacional de Resolução de Disputas) da CBF caso os prazos máximos sejam extrapolados. Uma solução rápida liberaria cerca de R$ 10 a R$ 12 milhões ao caixa tricolor ainda em 2025 — montante suficiente para custear uma folha mensal ou financiar parte de uma nova contratação para a Libertadores 2026.
No curto prazo, a quitação das dívidas tende a aliviar o fluxo de caixa e permitir que o Grêmio avance em renovações de patrocínio e contratações pontuais, mantendo a política de equilíbrio fiscal que norteia a gestão Alberto Guerra.
Com informações de Portal do Gremista