Glasgow (Hampden Park), quinta-feira à noite: a seleção da Escócia venceu a Grécia de virada por 2 x 1, mas o roteiro só mudou depois que Billy Gilmour, meio-campista do Napoli, entrou em campo aos 13 minutos do segundo tempo. Com Lewis Ferguson e Ryan Christie suspensos para o confronto contra Belarus, o desempenho do camisa 8 reacende a discussão: ele precisa ser titular já na próxima data FIFA — que ainda traz compromissos decisivos fora de casa contra a própria Grécia e, em Glasgow, diante da Dinamarca?
Por que Gilmour mudou o jogo contra a Grécia
Até os 58 minutos, a Escócia sofria para sair da pressão adversária. O dado mais emblemático: no lance que culminou no gol grego, os visitantes trocaram 54 passes sem serem combatidos. A entrada de Gilmour reorganizou o setor central. Suas primeiras ações foram receber dos zagueiros, girar entre linhas e acelerar o passe vertical — exatamente o que faltava à equipe de Steve Clarke.
Raio-X: 30 minutos de influência
- Passes para o terço final: 5 (apenas Andy Robertson e Ferguson tiveram mais, jogando 90’).
- Recuperações de posse: 3 (líder escocês no quesito, empatado com McTominay).
- Participação direta no 2º gol: recebeu entre dois marcadores, iniciou a circulação e inverteu bola que originou a falta convertida por Ferguson.
Contexto de clube: minutos escassos, qualidade evidente
No Napoli, atual campeão da Série A, Gilmour ainda não é o primeiro nome de Antonio Conte para a posição de volante — Stanislav Lobotka domina o posto quando está apto. O escocês tem apenas uma titularidade em 2024/25. Ainda assim, exibe índice de 91% de passes certos na liga italiana (dados públicos da competição), reforçando sua capacidade de ditar ritmo mesmo com rodagem limitada.
O quebra-cabeça de Steve Clarke para a próxima data FIFA
Ferguson e Christie — titulares habituais contra adversários fisicamente fortes — não estarão disponíveis contra Belarus. Em jogos nos quais a Escócia tende a ter a bola, como em Hampden Park, a visão de Gilmour se torna valiosa. A dúvida se intensifica porque, fora de casa, diante de uma Grécia tecnicamente organizada e contra a Dinamarca — que abriu a campanha empatando com os escoceses em Copenhague —, a equipe precisará tanto circular a bola quanto suportar pressão sem ela.
Projeção: impacto na corrida rumo à Copa
A Escócia soma quatro pontos nos dois primeiros jogos das Eliminatórias e enfrenta Belarus em 12 de outubro. Uma vitória deixaria a equipe com sete pontos antes da “rodada dupla” de novembro, potencialmente decisiva para o grupo. Se Gilmour repetir a influência demonstrada contra a Grécia, sua titularidade pode transformar o meio-campo escocês de um setor combativo em uma plataforma de construção ofensiva — elemento crítico para quebrar defesas fechadas e segurar a posse fora de casa.
Imagem: Internet
Olho no futuro: a tendência é que Clarke utilize o duelo com Belarus como laboratório para testar Gilmour desde o início. Caso a experiência funcione, o técnico pode confirmar a mudança de hierarquia para os compromissos mais exigentes. O próximo capítulo desse debate será escrito em menos de um mês — e o desempenho do camisa 8 pode redefinir o plano tático da Escócia no restante da campanha.
Com informações de BBC Sport