Quem: Atlético Mineiro. O quê: viagem de prospecção à África e ampliação da rede de observadores. Quando: novembro de 2024. Onde: Luanda (Angola) e demais países africanos, além de centros sul-americanos. Por quê: fortalecer a formação de atletas e recuperar competitividade do sub-20 após o rebaixamento no Brasileiro da categoria.
Viagem à África: passo estratégico para 2024
Segundo apuração do jornalista Betinho Marques, o departamento de captação do Atlético agendou para novembro uma missão em território africano. O roteiro inclui Luanda, capital de Angola, onde o clube já mantém parceria com a Associação Kiala FC, comandada pela cantora Kelly Key e por seu marido, Mico Freitas. A ideia é formalizar novos convênios e ampliar o mapeamento em torneios sub-17 e sub-20 de países lusófonos e da África Ocidental.
O movimento ganhou força após a descoberta do meio-campista Mamady Cissé, 18 anos, guineense que chamou atenção em um torneio de juniores neste ano. Desde que chegou a Belo Horizonte, Cissé coleciona participações diretas em gols pelo sub-20 e já trabalha com a preparação física do elenco de transição.
América do Sul segue no radar: caso Alexis Vargas
Paralelamente ao mapeamento africano, o Galo intensificou a busca em mercados vizinhos. Em junho, acertou a vinda do lateral-esquerdo Alexis Vargas, 18 anos, revelado pelo 2 de Mayo e com passagem de base no tradicional Olimpia, do Paraguai. O atleta chega para uma posição considerada carente nas divisões inferiores: em 2023, apenas 12% dos minutos do sub-20 foram ocupados por laterais de origem canhota.
Raio-X da rede de observação
Distribuição atual de olheiros (10 profissionais)
- Minas Gerais – 5
- Rio de Janeiro – 2
- São Paulo – 1
- Pernambuco – 1
- Santa Catarina – 1
O coordenador André Velloso traçou meta de chegar a 16 observadores exclusivos até o primeiro trimestre de 2025. O incremento visa cobrir estados sem presença fixa — como Paraná e Bahia — e consolidar bases de dados em ligas africanas e da CONMEBOL Sub-20.
Reformulação profunda no sub-20
A queda no Campeonato Brasileiro Sub-20 gerou a maior faxina de elenco dos últimos anos. Dos 42 atletas que iniciaram a temporada, 22 foram liberados, 14 contratados e 8 vagas permanecem abertas para promoções internas de categorias menores. O objetivo é equalizar o número de jogadores por posição e alinhar a construção física ao modelo de jogo do time principal, hoje comandado por Gabriel Milito.
Imagem: Pedro Souza
Impacto econômico e técnico no curto prazo
Historicamente, o Atlético lucrou mais de R$ 180 milhões em vendas de atletas formados em casa na última década, segundo balanços oficiais. Com a nova rede de observação, o clube mira ampliar a margem de lucro ao captar promessas antes da concorrência — estratégia que reduziu o custo médio de aquisição de direitos federativos em 22% entre 2022 e 2023.
Próximos passos: além da viagem à África, o departamento de base agendou amistosos internacionais para janeiro, quando Cissé, Vargas e outros recém-contratados serão avaliados em jogos contra equipes do Uruguai e do Chile.
Ao acelerar a prospecção em mercados emergentes, o Atlético não apenas preenche lacunas técnicas no sub-20, mas também cria um estoque de ativos que podem abastecer o elenco profissional ou gerar receita em futuras transferências. A missão africana de novembro será termômetro para medir a eficiência da nova rede de olheiros e pode definir os próximos destinos do clube no mapa global de talentos.
Com informações de Fala Galo