São Paulo, 18 de outubro de 2025 — A desembargadora Lúcia Helena do Passo revogou, na última sexta-feira (17), a liminar que mantinha bloqueados R$ 77 milhões do contrato de direitos de TV da Libra, valor referente ao critério de audiência. A decisão libera o montante para todos os clubes do bloco, com exceção de R$ 1,6 milhão destinado ao Flamengo, que segue retido. O clube carioca tem cinco dias úteis para ingressar com recurso.
Contexto: como a disputa chegou à Justiça
Nas semanas anteriores, o Flamengo obteve tutela antecipada que travava o repasse coletivo, alegando divergências na forma de distribuição das cotas. O bloqueio gerou impasse interno e motivou o Palmeiras, uma das lideranças da Libra, a protocolar ação contrária ao Rubro-Negro. A desembargadora avaliou que a liminar original provocou “excesso de bloqueio”, impedindo que os demais filiados recebessem a quantia a que teriam direito.
Impacto financeiro imediato para a Libra
Valor desbloqueado: R$ 77 milhões (30 % da parcela por audiência).
Valor ainda retido: R$ 1,6 milhão (cota individual do Flamengo).
Prazo para recurso: cinco dias úteis.
Com a liberação, clubes que planejavam usar a receita ainda em 2025 — seja para registro de jogadores na próxima janela ou abatimento de dívidas fiscais — ganham fôlego de caixa. Para times com orçamentos mais enxutos, a entrada dessa verba representa entre 4 % e 7 % da previsão anual de direitos de transmissão.
Raio-X: como funciona a divisão 40-30-30 da Libra
- 40 % – distribuição igualitária entre os participantes;
- 30 % – audiência (parte envolvida na ação);
- 30 % – performance esportiva.
A parcela questionada reflete métricas consolidadas de audiência de TV aberta, fechada e pay-per-view. Segundo dados públicos da Kantar-Ibope, Flamengo e Corinthians somam mais de 45 % da audiência nacional nas últimas três edições do Brasileirão, o que explica o peso financeiro para o Rubro-Negro na divisão.
Clima interno: atrito entre líderes
A judicialização acirrou a tensão entre as diretorias. Leila Pereira, presidente do Palmeiras, evitou encontros formais com Luiz Eduardo Baptista (Bap), presidente do Flamengo, e não viajou ao Rio de Janeiro para o confronto entre as equipes pelo Brasileirão. A hostilidade ameaça a coesão de um bloco que reúne clubes de diferentes divisões e ainda negocia a entrada de novos filiados.
Imagem: Internet
Próximos passos jurídicos e esportivos
• Recurso do Flamengo: se protocolado, volta ao Tribunal de Justiça para decisão de segunda instância.
• Assembleia da Libra: prevista para a próxima semana, com pauta de revisão do estatuto e salvaguardas financeiras para evitar novos bloqueios.
• Mercado de TV 2026-2030: a estabilidade jurídica é pré-condição para a assinatura do contrato principal, estimado em R$ 2,2 bilhões por ciclo. Qualquer nova liminar pode retomar o risco de inadimplência de parcelas futuras.
Conclusão prospectiva: Ao restabelecer o fluxo de caixa da Libra, a decisão afasta temporariamente o risco de fratura no bloco, mas mantém o Flamengo isolado até a conclusão dos recursos. O desfecho jurídico deve influenciar não apenas a convivência interna, mas também as tratativas da liga com investidores e emissoras para o próximo ciclo de direitos, tornando os próximos 30 dias decisivos para o desenho financeiro do futebol brasileiro a partir de 2026.
Com informações de ESPN Brasil