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    Corinthians se incomoda com juros altos e estuda deixar RCE para negociar dívidas direto com credores

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    São Paulo, 18 de outubro de 2025 – A diretoria do Corinthians, liderada por Osmar Stabile, estuda deixar o Regime Centralizado de Execuções (RCE) – mecanismo criado há 10 meses para reorganizar R$ 367 milhões em dívidas – devido à incidência da taxa Selic de 15% ao ano. A gestão vê espaço para negociar condições mais vantajosas diretamente com os credores.

    Por que o RCE perdeu atratividade

    O RCE, semelhante a um “parcelamento judicial” das dívidas, foi adotado pela diretoria anterior de Augusto Melo para conter bloqueios e dar previsibilidade de fluxo de caixa. A contrapartida é que todos os valores são corrigidos pela Selic – atualmente em seu maior patamar desde 2017. Com o juro elevado, a dívida nominal cresce mais rápido, impactando o orçamento anual do departamento de futebol.

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    Pontos de fricção entre gestões

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    A administração Stabile questiona:

    • Lista de credores: inclusão de cobranças que a nova diretoria considera indevidas, como R$ 700 mil à empresa Rede Social Media Design LTDA., ligada a Alex Cassundé, hoje réu por lavagem de dinheiro.
    • Valores contestados: anulação judicial de execução superior a R$ 22 milhões do empresário Giuliano Bertolucci, que representava 28% dos R$ 78,2 milhões reivindicados por ele no RCE.

    Com a revisão dessas pendências, o clube avalia que a dívida “real” pode ficar menor do que os R$ 367 milhões inicialmente declarados, tornando mais viável a negociação caso a caso.

    Os números do plano atual

    Proposta progressiva apresentada ao Judiciário:

    • Receitas recorrentes: 4% no 1º ano, 5% no 2º e 6% a partir do 3º.
    • Receitas com vendas de atletas: 5% no 1º ano, 6,5% no 2º e 8% a partir do 3º.

    Alguns credores pediram elevação para 20% nas duas frentes, percentual que o Corinthians considera inviável por comprometer o orçamento destinado a salários, base e infraestrutura.

    Raio-X financeiro do Corinthians (2022–2024)

    • Faturamento médio anual: R$ 750 milhões (inclui TV, patrocínios, matchday e transferências).
    • Despesa com folha de pagamento: R$ 330 milhões por ano.
    • Dívida total consolidada: R$ 1,26 bilhão (inclui Arena, impostos parcelados e cíveis).
    • Bloqueios judiciais de caixa pré-RCE: até R$ 12 milhões mensais.

    Os dados mostram que cada ponto percentual adicional destinado aos credores pode retirar aproximadamente R$ 7,5 milhões do fluxo anual – valor que poderia financiar quatro meses de salário do elenco profissional.

    Impacto esportivo e calendário imediato

    Qualquer mudança na estrutura de pagamento interfere diretamente na liquidez para contratações e manutenção de titulares. Com o clube na zona intermediária do Brasileirão, a diretoria analisa o custo de oportunidade: permanecer no RCE e conviver com juros de dois dígitos pode limitar reforços na janela de janeiro de 2026; já a negociação direta abre espaço orçamentário, mas exige acordos individuais com dezenas de credores.

    Corinthians se incomoda com juros altos e estuda deixar RCE para negociar dívidas direto com credores - Imagem do artigo original

    Imagem: Internet

    Próximos compromissos:

    • 18/10 – Corinthians x Atlético-MG, Neo Química Arena
    • 25/10 – Vitória x Corinthians, Barradão
    • 02/11 – Corinthians x Grêmio, Neo Química Arena

    Resultados positivos podem aumentar receitas de bilheteria e reduzir a pressão externa por investimentos imediatos.

    O que observar nas próximas semanas

    O parecer do consultor Rozallah Santoro sobre a viabilidade de saída do RCE deve ser apresentado ainda em outubro. Se aprovado, o Corinthians precisará submeter um pedido de desistência ao juízo responsável e iniciar tratativas diretas com credores estratégicos – sobretudo fornecedores e agentes de atletas. A movimentação será decisiva para o planejamento financeiro de 2026 e para o nível de investimento no elenco na próxima temporada.

    Conclusão prospectiva: Caso confirme a ruptura, o Corinthians poderá reduzir a correção de sua dívida num cenário de Selic alta, mas assumirá o desafio de costurar acordos individuais sem a proteção do RCE. O desfecho desse processo tende a influenciar não só a folha de 2026, mas também o potencial competitivo do clube em Libertadores ou Sul-Americana, caso conquiste vaga via Brasileirão.

    Com informações de ESPN Brasil/Gazeta Esportiva

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