Londres (23/10/2025) – Após oito rodadas da Premier League 2025/26, o Arsenal concedeu somente três gols e, mantendo a média de 0,38 gol por partida, projeta encerrar o campeonato com 14 tentos sofridos — um a menos que o recorde estabelecido pelo Chelsea em 2004/05.
Por que o recorde de 2004/05 continua icônico
O time de José Mourinho terminou aquela campanha com apenas 15 gols contra em 38 jogos, número que permanece intocado há duas décadas. Desde então, as melhores marcas ficaram em 22 gols (Chelsea 2005/06), 22 gols (Manchester United 2007/08) e 22 gols (Liverpool 2018/19), sempre ao menos sete gols acima do parâmetro histórico.
A engenharia defensiva de Mikel Arteta
O treinador espanhol repetiu a linha Gabriel Magalhães–William Saliba em seis das oito partidas, dando continuidade ao entrosamento iniciado na temporada anterior. Nos flancos, Riccardo Calafiori acumulou 100% de presença e Jurriën Timber atuou em sete jogos, oferecendo força física e eficiência em duelos individuais. Quando Saliba não esteve disponível, o jovem Cristhian Mosquera (21 anos) manteve o nível de cobertura central.
Ao fundo, David Raya transformou volume em eficácia: além das cinco partidas sem sofrer gols, lidera a liga em post-shot expected goals evitados (PSxG-*, +3,1). Essa métrica indica quantidade de gols que seriam sofridos em situação média e realça o impacto do goleiro.
Raio-X dos números do Arsenal
- Gols sofridos: 3 (melhor defesa das Top-5 ligas europeias).
- Clean sheets: 5 em 8 jogos (62,5%).
- xG contra: 4,2 (0,53 por partida, menor da Premier League).
- Chutes contra: 57 (2º menor total entre as cinco principais ligas).
- xG por chute cedido: 0,07 (2ª melhor marca da Europa).
- Projeção de gols sofridos ao fim das 38 rodadas: 14,4.
O ataque ainda pode elevar o teto
Mesmo com desfalques ofensivos — Martin Ødegaard, Noni Madueke, Kai Havertz e Bukayo Saka já perderam jogos por lesão —, o Arsenal soma 15 gols (média de 1,87) e xG de 14,1, quarto índice mais alto do campeonato. A tendência é de crescimento quando Viktor Gyökeres atingir melhor forma e o quarteto criativo estiver disponível em sequência.
Impacto futuro: calendário, ajustes e pressão
A sequência imediata coloca os Gunners frente a Manchester United (casa), Newcastle (fora) e Tottenham (casa) nas próximas cinco rodadas. Manter a atual taxa defensiva contra rivais de top-6 será decisivo para validar a projeção. Além disso, a disciplina física do elenco será testada na maratona de dezembro, quando o clube terá oito compromissos em 26 dias.
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Outro ponto monitorado internamente é a consistência da saída de bola. Com Timber e Calafiori responsáveis por 46% das construções iniciadas, a equipe perde fluidez quando um deles não atua. A diretoria já avalia antecipar a ativação de cláusula de retorno do lateral Tomiyasu em janeiro como seguro de elenco.
Conclusão prospectiva: Se o Arsenal reproduzir o desempenho defensivo demonstrado até aqui nos confrontos diretos e gerenciar a carga física do plantel, a quebra do recorde de 15 gols sofridos deixa de ser projeção estatística para se tornar possibilidade real — e, como efeito colateral, cria a base para uma campanha de título tão sólida quanto a do Chelsea de 2004/05.
Com informações de The Guardian