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    Alerj autoriza negociação do Maracanã, mas governador garante: ‘Estádio não será vendido’

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    Rio de Janeiro, 04/07/2024 — A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) aprovou nesta semana a inclusão do Maracanã na lista de bens estaduais que podem ser negociados com a iniciativa privada. Apesar da autorização, o governador Cláudio Castro (PL) garantiu que não pretende vender o estádio, hoje gerido por um consórcio formado por Flamengo e Fluminense.

    Contexto político e financeiro do Maracanã

    O Maracanã é, há 75 anos, um patrimônio esportivo e político do Estado. A arena gera receita ao governo por meio de sete camarotes, duas mil cadeiras cativas, direitos a ingressos e seis datas anuais. Em contrapartida, o consórcio Flamengo-Fluminense paga R$ 20 milhões de outorga por ano, enquanto cada camarote chega a ser negociado no mercado por mais de R$ 1 milhão.

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    A autorização da Alerj abre espaço para formas de parceria público-privada que podem ampliar investimentos em manutenção e modernização do estádio, mas também acende alertas sobre eventuais manobras políticas em ano pré-eleitoral. O valor de mercado estimado do complexo gira em torno de R$ 2 bilhões, cifra que, na prática, depende de soluções para gargalos jurídicos (tombamento histórico) e culturais (resistência da torcida à privatização total).

    Qual o papel de Flamengo e Fluminense na negociação?

    Segundo Luiz Eduardo Baptista, presidente do Flamengo, “qualquer interessado teria que conversar com o consórcio”. A fala reforça que os dois clubes detêm hoje a operação diária do estádio e, portanto, condicionam qualquer modelo de negócio. Alguns pontos decisivos:

    • Flamengo: sem avançar em um projeto de arena própria no Gasômetro, o Maracanã continua sendo o pilar de seu planejamento de receitas de bilheteria. Em 2023, a média de público rubro-negra foi de 58.133 torcedores, a maior do Brasil.
    • Fluminense: o Tricolor avalia que dividir a gestão maximiza a ocupação do calendário e torna o fluxo de caixa sustentável. A média de público no Brasileirão 2023 foi de 33.487 torcedores.

    Qualquer mudança societária que eleve o custo fixo ou reduza datas disponíveis impacta diretamente as projeções de ambos os clubes para bilheteria, sócio-torcedor e contratos de patrocínio vinculados a visibilidade de estádio.

    Raio-X do estádio: números que explicam a disputa

    Capacidade atual: 78.838 lugares (público total autorizado pela CBF e Corpo de Bombeiros).
    Jogos realizados em 2023: 66 partidas oficiais (clubes, Seleção e finais da Conmebol).
    Média geral de público em 2023: 46.200 torcedores.
    Receita de bilheteria declarada em 2023: R$ 196 milhões (soma de Flamengo, Fluminense e jogos esporádicos).
    Data-center de eventos: shows de música representaram 14 datas, com ticket médio de R$ 350.

    Alerj autoriza negociação do Maracanã, mas governador garante: ‘Estádio não será vendido’ - Imagem do artigo original

    Imagem: Internet

    Próximos passos e possíveis cenários

    1. Renovação do atual termo de permissão: o consórcio tem contrato até 2024, prorrogável por mais dois anos. Uma extensão permitiria manter o status quo enquanto se discute o modelo definitivo.
    2. Licitação de concessão longa (20-35 anos): exigiria estudos de viabilidade para equilibrar investimento em infraestrutura (cobertura, acessibilidade) e contrapartidas ao Estado.
    3. Parceria com investidor privado: clubes seguiriam à frente da operação esportiva, enquanto um parceiro aportaria capital para verticalização de receitas (tour, naming rights, comércio).

    Em qualquer cenário, o Estado sinaliza que manterá a propriedade, mas delegará níveis distintos de gestão. O sucesso da modelagem dependerá da adesão de Flamengo e Fluminense, cujos calendários concentram mais de 80% das datas de futebol no estádio.

    Perspectiva: A autorização da Alerj liga o alerta sobre o futuro do Maracanã, mas a declaração de Cláudio Castro indica que o processo deve seguir como uma concessão, e não como venda. O próximo passo será a publicação de um chamamento público ou de um novo edital de licitação, esperado para o segundo semestre. Até lá, Flamengo e Fluminense permanecem como elementos centrais na equação que definirá o principal palco do futebol carioca.

    Com informações de NetFla

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