Buenos Aires, março de 2024 — O torcedor Victor Villagra, presença constante na Bombonera desde os anos 80 e veterano da Guerra das Malvinas, explicou em entrevista ao ge por que uma regata do Flamengo se tornou peça obrigatória em cada partida do Boca Juniors: segundo ele, o clube argentino perdeu justamente no único dia em que esqueceu a peça, transformando o “manto rubro-negro” em símbolo de sorte.
Uma superstição que atravessa fronteiras
Villagra recebeu a regata de presente de um amigo torcedor do River Plate – rival histórico do Boca. O gesto irônico acabou virando cabala: desde então, o argentino não entra mais no estádio sem vestir o uniforme carioca por baixo da camisa xeneize. Ele relata que, quando esqueceu o item, “o Boca perdeu”, reforçando a experiência pessoal de que o objeto traz bons presságios.
Identidades sobrepostas: “Mono”, “Flamengo” e ex-combatente
O torcedor explicou que é chamado de maneiras diferentes conforme o círculo social: “Para 90%, sou ‘Mono’. Para outros, sou ‘Flamengo’. Para outros, sou veterano de guerra”. O apelido de guerra refere-se à participação no conflito das Malvinas em 1982, o que lhe confere estatuto de figura histórica nas arquibancadas boquenses.
Raio-X: Boca, Flamengo e os números que ajudam a entender o respeito
Boca Juniors em casa (2020–2024)*
• Média de aproveitamento geral na Bombonera: 66%
• Derrotas em casa no último triênio em competições nacionais: 12 em 70 jogos
*Dados compilados de Transfermarkt e AFA
Flamengo como visitante na Libertadores (2018–2023)
• Aproveitamento: 53%
• Títulos continentais no recorte: 2019 e 2022
A força rubro-negra fora de casa ajuda a explicar por que a camisa carrega prestígio até mesmo entre torcedores rivais na América do Sul.
O desejo de conhecer o Maracanã
Além da superstição, Villagra alimenta outro objetivo: assistir a um jogo do Flamengo no Maracanã. Se cumprir a meta, vivenciará um dos estádios mais emblemáticos do continente, que recebeu cerca de 63 mil torcedores por partida na temporada passada, segundo balanço oficial do clube carioca.
Imagem: Internet
O que muda a partir de agora
Embora seja um caso individual, a história de Villagra ilustra como marcas simbólicas — mesmo vindas de rivais — podem tornar-se parte da cultura de arquibancada. Por tratar-se de um torcedor infiltrado na atmosfera de “La 12”, a repercussão reforça laços de respeito entre duas torcidas que podem voltar a se cruzar em edições futuras da Copa Libertadores.
Próximos capítulos
Com Boca e Flamengo já classificados às fases preliminares da Libertadores de 2024, a possibilidade de um confronto direto reacende a curiosidade: Villagra manterá a tradição se o adversário for o próprio clube da camisa que veste? Até lá, a “regata da sorte” seguirá como amuleto pessoal — e como lembrete de que o futebol sul-americano é feito de rivalidade, mas também de reconhecimentos inesperados.
Com informações de NetFla