MetLife Stadium, Nova Jersey – Na segunda-feira, 29 de junho de 2026, a Seleção Brasileira derrotou o Japão por 2 × 1 de virada nas oitavas de final da Copa do Mundo. Os gols de Casemiro e Gabriel Martinelli confirmaram o poder de decisão do técnico Carlo Ancelotti, elogiado pelo jornalista britânico Tim Vickery, que classificou as escolhas do italiano como “juízo, não sorte”.
Por que Ancelotti manteve Casemiro mesmo amarelado
Casemiro terminou o primeiro tempo com cartão amarelo e rendimento abaixo do seu padrão. Em contextos de mata-mata, 9 em cada 10 técnicos optariam pela substituição para evitar uma expulsão precoce. Ancelotti, porém, manteve o volante para preservar o equilíbrio defensivo e a liderança em campo. A decisão se pagou aos 62 minutos, quando o camisa 5 apareceu na área para empatar de cabeça após escanteio batido por Raphinha.
Desde sua estreia pela Seleção em 2011, Casemiro já ultrapassou a marca de 100 partidas e 12 gols, sendo 6 deles em torneios oficiais da FIFA. Sua experiência em jogos eliminatórios – títulos de Champions League por Real Madrid e Manchester United – pesou na avaliação do treinador.
Surpresa na ponta: o impacto imediato de Martinelli
Para o lugar de Rayan, Ancelotti chamou Gabriel Martinelli, deslocando o atacante do Arsenal para o corredor esquerdo e liberando Vinícius Júnior a circular mais por dentro. O movimento confundiu a linha japonesa, que vinha concedendo muitos cruzamentos, mas não esperava a infiltração diagonal do novo ponta. Aos 78 minutos, Martinelli recebeu passe de Vini, invadiu a área e bateu cruzado para virar o placar.
Conforme Vickery destacou, “Isso não é sorte, isso é juízo”. O comentarista lembrava que um centroavante de referência, como Igor Thiago, parecia a escolha lógica para explorar as bolas alçadas. Ancelotti optou pela mobilidade de Martinelli, que soma mais de 200 jogos e 60 gols pelo Arsenal desde 2019 e liderou a Premier League 2025/26 em finalizações ajustadas por 90 minutos entre atletas sub-25 (dados StatsBomb).
Raio-X: números que sustentam a virada
- Finalizações: Brasil 17 (8 no alvo) × Japão 9 (3 no alvo)
- Cruzamentos certos: Brasil 9 / 26 tentados
- Desarmes de Casemiro: 5, maior marca do jogo
- Participação de Martinelli: 1 gol, 2 passes para finalização, 4 ações de alta intensidade em pressão
- Gols sofridos pelo Brasil no torneio: 3 em 4 partidas – todos no primeiro tempo
Onde entra Neymar nesse tabuleiro?
Ancelotti revelou que utilizaria Neymar apenas na prorrogação. Para Tim Vickery, a decisão reflete limitações físicas do camisa 10, visíveis no empate contra a Escócia na fase de grupos. Hoje, o talento do craque do Santos parece restrito às bolas paradas: ele participou diretamente de 2 dos 5 gols brasileiros originados em falta ou escanteio nesta Copa.
Imagem: Imago
Próximo desafio: Noruega exige ajuste defensivo
No domingo, 5 de julho, às 17h (de Brasília), o Brasil encara a Noruega – equipe que liderou a fase de grupos em bolas aéreas vencidas (68) graças a Erling Haaland. A manutenção de Casemiro como escudo e o bom sincronismo entre os zagueiros Militão e Gabriel Magalhães serão cruciais. Ofensivamente, a dobradinha Vini-Martinelli oferece amplitude e profundidade para atacar o espaço às costas de Ryerson e Meling, laterais que tendem a subir em bloco.
Conclusão prospectiva: Ao resistir à troca imediata de Casemiro e inverter o jogo com Martinelli, Carlo Ancelotti demonstrou que decisões milimétricas podem redefinir um mata-mata de Copa. Se repetir a leitura fina contra a Noruega, o Brasil não apenas avança como ganha casca competitiva para encarar potências na parte decisiva do torneio.
Com informações de Trivela