Belmonte revela discordância com Casares, abre o jogo sobre saída do São Paulo e sonho de ser presidente

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São Paulo – 1º.dez.2025. Carlos Belmonte, que esteve à frente do departamento de futebol do São Paulo desde janeiro de 2021, comunicou sua saída antecipada após a goleada por 6 a 0 sofrida para o Fluminense na última quinta-feira (27/11). Em entrevista exclusiva à ESPN concedida nesta segunda-feira (1º/12), o ex-dirigente explicou quem tomou a decisão, quando e por que resolveu deixar o Morumbi antes do término da temporada.

Por que a decisão foi antecipada?

Belmonte afirmou que sairia naturalmente ao fim do ano, mas resolveu adiantar o desligamento para “dar tempo” ao presidente Julio Casares planejar 2026. Uma semana a mais, segundo ele, seria “muito” num calendário apertado, principalmente depois de uma derrota considerada traumática.

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Divergência estratégica com Casares

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O ponto de atrito surgiu em março, após a eliminação para o Mirassol no Campeonato Paulista, quando Casares definiu a presença fixa do superintendente Márcio Carlomagno no CT da Barra Funda. Embora mantenha boa relação com o executivo, Belmonte não concordou com a mudança, entendendo que suas funções ficariam sobrepostas. O distanciamento gradual incluía ausências em viagens e jogos, situação que se intensificou nas últimas rodadas do Brasileirão.

Raio-X da gestão Belmonte (2021-2025)

  • Títulos conquistados: Copa do Brasil 2023 (primeiro troféu inédito na história tricolor).
  • Aproveitamento em pontos corridos: 53% no Brasileirão 2023; 51% em 2024; 48% até a 35ª rodada de 2025.
  • Contratações de maior impacto: Lucas Moura (retorno em 2023), Calleri (em definitivo em 2022) e Erick Pulgar (2024).
  • Saídas relevantes: Rodrigo Nestor (vendido em 2024), Pablo Maia (2025) — operações que geraram cerca de R$ 200 mi ao clube.

Os números mostram uma gestão que uniu conquistas pontuais a receitas de mercado, mas que sofreu queda de desempenho em 2025, refletida na atual campanha mediana no Brasileirão.

Impacto imediato no planejamento para 2026

A lacuna deixada por Belmonte será preenchida, de forma provisória, por Rui Costa (executivo de futebol) e Márcio Carlomagno, supervisionados por Muricy Ramalho. A intenção, segundo o ex-diretor, é que essa configuração ganhe estabilidade antes da abertura da janela de janeiro. O clube precisa definir:

  1. Renovação ou venda de peças-chave, como Lucas Moura e Alisson.
  2. Reposição na zaga: o setor sofreu 46 gols em 35 rodadas, 11 a mais que em 2024.
  3. Novo modelo de jogo: o interino pretende reduzir a média de 13,7 finalizações sofridas por partida.

O xadrez político a caminho da eleição de 2026

Embora negue candidatura imediata, Belmonte admitiu encaixar-se no perfil desejado para liderar o clube: experiência corporativa, compreensão do estatuto e resultados esportivos. A eleição acontece apenas no fim de 2026, mas a retirada do ex-diretor do dia a dia deve reposicioná-lo como potencial nome de consenso de grupos oposicionistas.

Próximos compromissos em campo

O São Paulo tem dois jogos para fechar 2025:

  • 03/12 – Internacional (Morumbi, 20h)
  • 07/12 – Vitória (Barradão, 16h)

Com 45 pontos, o clube precisa de quatro para garantir matematicamente vaga na Sul-Americana e afastar qualquer risco residual na parte de baixo da tabela.

Conclusão prospectiva: A saída de Belmonte reabre duas frentes cruciais para o São Paulo: a técnica, que exige respostas rápidas na formação do elenco de 2026, e a política, que deve ganhar força a partir do segundo semestre do próximo ano. Até lá, cada resultado em campo funcionará como termômetro do novo organograma tricolor — e, possivelmente, do capital político acumulado pelo ex-diretor.

Com informações de ESPN Brasil

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