Boston (EUA), 17/06/2026 — A Noruega voltou a disputar uma Copa do Mundo depois de 28 anos e começou a campanha com vitória por 4 × 1 sobre o Iraque, no Estádio de Boston. O atacante Erling Haaland, 25 anos, marcou duas vezes e confirmou o status de peça-chave na equipe de Ståle Solbakken.
O que a vitória representa no Grupo I
O resultado coloca os escandinavos na liderança provisória de uma chave que ainda conta com França e México — adversários que tornam a classificação nitidamente complexa. Ao conquistar os três pontos e abrir saldo positivo de três gols, a Noruega ganhou margem para eventuais cenários de desempate, fator que costuma pesar em grupos equilibrados.
Por que Haaland é o ponto de inflexão tático
Mesmo em sua primeira Copa, Haaland mantém o padrão de letalidade: são agora 57 gols em 51 partidas pela seleção (média de 1,1), índice só alcançado recentemente por nomes como Mbappé e Kane no futebol de seleções. Dentro da estrutura 4-3-3 de Solbakken, o camisa 9:
- Fixa zagueiros e libera Ødegaard para flutuar entrelinhas;
- Garante profundidade em transições, acelerando as jogadas com menos passes;
- Transforma bolas paradas ofensivas em arma — oito dos seus tentos pelo país vieram dessa situação.
Raio-X dos protagonistas
Erling Haaland
• Eliminatórias 2023-25: 16 gols, 3 assistências em 8 jogos (participação direta de 2,4 gols/jogo).
• Estreia na Copa 2026: 2 gols, 1 grande chance desperdiçada, 4 finalizações no alvo.
Martin Ødegaard
• Capitão, 27 anos, 7 assistências em 5 jogos nas Eliminatórias.
• Contra o Iraque: 88 % de passes certos, 3 passes-chave.
Alexander Sørloth
• 20 gols pelo Atlético de Madrid 2025-26.
• Entrou no segundo tempo e participou do quarto gol, dando profundidade ao lado direito.
Antonio Nusa
• 21 anos, 8 gols em 25 jogos pela seleção.
• Responsável por 4 das 7 arrancadas em transição rápida na estreia.
Imagem: IMAGO
Como o resultado ajusta o planejamento de Solbakken
A comissão técnica sabia que estrear bem era vital para chegar às rodadas decisivas com a classificação encaminhada. Com o dever cumprido, Solbakken ganhou a possibilidade de:
- Administrar a minutagem de Haaland, que fez 62 jogos de clube na temporada;
- Testar variantes defensivas — a equipe sofreu o empate em uma bola aérea, recorrência nas Eliminatórias (6 dos 11 gols sofridos vieram pelo alto);
- Aumentar a competitividade interna: Sørloth e Nusa disputam vaga com Kristian Thorstvedt e Jens Petter Hauge, oferecendo alternativas de jogo físico ou velocidade.
Desafios à vista: França e México
França apresenta a segunda melhor média de gols do ciclo (2,3), exigindo compactação defensiva mais rigorosa. Já o México faz da posse longa uma válvula para desgastar rivais; a Noruega terá de equilibrar pressão alta com gestão de energia.
Histórico na Copa: a lembrança de 1998
Na última participação, os nórdicos chegaram às oitavas e caíram diante da Itália (1 × 0). Repetir — ou superar — aquele patamar passa, inevitavelmente, pela manutenção da eficiência ofensiva: em 1998 a Noruega fez média de 1,25 gol; na atual edição, a estreia já elevou o índice para 4,0.
Conclusão prospectiva
A vitória sobre o Iraque deu à Noruega o início sonhado e reforçou a percepção de que, com Haaland saudável e bem servido, a equipe pode disputar uma das vagas do Grupo I. O próximo teste, contra a França, calibrará essas expectativas: se o sistema defensivo se sustentar, os escandinavos ganharão credenciais de candidato a mata-mata — etapa em que qualquer bola na área pode encontrar o pé calibrado de seu camisa 9.
Com informações de Trivela