Nápoles (Itália), 2 de julho de 2026 – O goleiro Unai Simón tornou-se, nesta quinta-feira, o recordista absoluto de minutos sem sofrer gols em Copas do Mundo. Ao passar ileso pela vitória da Espanha por 3 x 0 sobre a Áustria, pela fase de 16-avos do Mundial de 2026, o camisa 23 chegou a 519 minutos de invencibilidade, dois a mais do que o italiano Walter Zenga havia acumulado em 1990.
Como o novo recorde foi construído
A sequência de Simón começou ainda nas oitavas de final de 2022, quando Espanha e Marrocos ficaram no 0 x 0 do tempo normal e da prorrogação. Quatro anos depois, a trajetória se estendeu pela fase de grupos de 2026 e ganhou corpo na estreia do mata-mata:
- 0 x 0 – Espanha x Marrocos (2022, oitavas)
- 0 x 0 – Espanha x Cabo Verde (2026, fase de grupos)
- 4 x 0 – Espanha x Arábia Saudita (2026, fase de grupos)
- 1 x 0 – Espanha x Uruguai (2026, fase de grupos)
- 3 x 0 – Espanha x Áustria (2026, 16-avos)
Somadas as cinco partidas, o arqueiro permaneceu 519 minutos sem ser vazado – superando os 517 minutos de Zenga, estabelecidos de forma consecutiva na Copa de 1990.
Comparativo histórico: Zenga x Simón
Embora o italiano tenha alcançado a marca dentro de um único Mundial, Simón obteve um feito inédito ao atravessar duas edições consecutivas sem sofrer gols. Na prática, o espanhol precisou de cinco jogos, mesma quantidade de Zenga, porém diluídos em um intervalo de quatro anos, algo inédito no torneio.
Raio-X defensivo da Espanha em 2026
- Gols sofridos: 0 em 4 partidas
- Finalizações contra: 21 (média de 5,2 por jogo)
- Defesas de Simón: 9 (eficiência de 100% em chutes no alvo)
- Desarmes e interceptações por jogo: 14,3 (média da seleção espanhola)
- Posse de bola média: 63%, a segunda maior do torneio até aqui
Os números indicam que a solidez defensiva é sustentada por duas camadas: pressão pós-perda no campo adversário e controle de posse, reduzindo o volume ofensivo dos rivais. Quando exigido, Simón mantém o índice de 100% de defesas nesta Copa.
Impacto tático: o que muda para a Roja
O novo recorde reforça a confiança de um setor que já apresentava melhora desde a chegada do técnico Unai Emery após o Mundial de 2022. A equipe alterna o 4-3-3 clássico com variações para 4-2-3-1, mantendo o bloco alto e encurtando linhas. A invencibilidade de Simón valida a estratégia: mesmo exposto a contra-ataques, o goleiro responde quando a pressão não surte efeito.
Imagem: Getty s.
A curto prazo, o feito não concede vantagem prática na competição, mas eleva o moral de um elenco que busca repetir o título de 2010. A médio prazo, obriga os próximos adversários a redobrarem a criatividade para quebrar a linha defensiva espanhola, possivelmente arriscando mais arremates de média distância ou explorando bolas paradas – ainda o “ponto cego” da Roja, que sofreu três finalizações de cabeça contra a Áustria.
Próximos capítulos
Se mantiver a meta zerada nas oitavas de final, Simón igualará o recorde de Zenga de cinco jogos seguidos sem gols em uma única Copa e poderá ampliar a distância em minutos. A partir das quartas, cada novo zero no placar colocará o espanhol em patamar estatístico ainda mais difícil de ser alcançado, potencialmente definindo o maior período de invencibilidade em fases eliminatórias desde 1930.
Conclusão prospectiva: O recorde de Unai Simón vai além do feito individual; ele consolida a Espanha como uma das defesas mais consistentes do cenário internacional recente. Restará às seleções que cruzarem o caminho da Roja encontrar caminhos alternativos para furar um bloqueio que, por enquanto, parece intransponível. A sequência de minutos sem sofrer gols será, a cada jogo, um termômetro da solidez espanhola e um dos principais enredos a acompanhar nesta reta decisiva de Copa.
Com informações de Imortais do Futebol