Quem: Instituto Nexus, a pedido da CBF. O quê: pesquisa nacional sobre hábitos de consumo de futebol. Quando: 15 a 24 de agosto de 2025. Onde: todos os 26 estados e o Distrito Federal. Por quê: mapear barreiras que afastam o torcedor dos estádios.
O levantamento ouviu 2.006 brasileiros com 16 anos ou mais e revelou um dado alarmante: 59% jamais pisaram em um estádio para ver uma partida de futebol. Outros 22% já foram no passado, mas abandonaram o hábito. Na prática, apenas 19% continuam frequentando arquibancadas, e a maioria desses (10%) vai a “alguns jogos por ano”.
Por que o torcedor não vai ao estádio?
Entre os que nunca foram, a Nexus identificou três razões centrais:
- Falta de interesse – 41%
- Violência – 23%
- Preço do ingresso – 12%
Questões logísticas como distância, transporte e falta de companhia aparecem em menor escala, mas reforçam o desafio de acesso.
Raio-X da pesquisa
- Consumo televisivo: 47% assistem a jogos toda semana em casa; 16% veem várias partidas, 17% assistem a algumas e 14% acompanham pelo menos um jogo.
- Desconexão total: 26% dizem não acompanhar futebol de nenhuma forma.
- Frequência nos estádios: 10% vão “a alguns jogos por ano”, 5% marcam presença “uma vez ao mês” e apenas 4% “quase toda semana”.
Comparativo com a média de público do Brasileirão
De acordo com o relatório oficial da CBF, o Campeonato Brasileiro Série A de 2024 registrou média de 26,6 mil torcedores por jogo, marca considerada alta no cenário sul-americano. Ainda assim, o estádio típico opera perto de 55% da capacidade, sinal de que há espaço físico disponível, mas uma barreira social e econômica a ser vencida.
Impacto para clubes, federações e patrocinadores
1. Receita direta: ingressos e match-day representam cerca de 15% das receitas dos clubes da Série A, segundo balanços publicados em 2024. Se a taxa de comparecimento estagnar, o modelo de negócio continuará dependente de TV e patrocínio.
2. Atmosfera competitiva: estádios cheios influenciam desempenho. Um estudo da UFMG apontou salto de 7% no aproveitamento como mandante quando a ocupação ultrapassa 70% da capacidade.
3. Segurança pública: o dado de 23% de rejeição por violência reforça a urgência de planos integrados entre clubes, CBF e autoridades, como reconhecimento facial e escolta planejada de torcidas visitantes.
Imagem: Internet
O que pode mudar o cenário?
• Dynamic pricing: ajustar valor de ingressos por setor e demanda já elevou a ocupação em até 12% em arenas da MLS.
• Experiência “family friendly”: setores dedicados a famílias e ações de pré-jogo reduzem a percepção de risco.
• Capilaridade de estádios: projetos de arenas regionais de médio porte podem diminuir a barreira de distância citada por parte dos entrevistados.
Conclusão prospectiva: os números do estudo da Nexus servem como alerta estratégico. A manutenção de arquibancadas esvaziadas não só limita a receita dos clubes, mas também compromete a atmosfera competitiva que atrai direitos de transmissão e patrocínio. Iniciativas de precificação flexível, reforço de segurança e melhora na experiência do torcedor serão determinantes para reverter a tendência antes do Ciclo de Copas 2026-2030, período em que a CBF projeta novo boom de interesse no futebol nacional.
Com informações de Netflu